
Falar contra a ideia estabelecida pela sociedade do que a "Mãe", é um tabu. A mães, santificadas pela glória do santo lar e pela sociedade, deificadas com o estigma do amor incondicional, da autonegação em prol da cria, do sacrifício, do perdão, do carinho e sensibilidade, do acolhimento, etc... elas são figuras adoradas e respeitadas pela grande maioria dos rebentinhos e falar algo contra elas é um "grande pecado" - cometido apenas por ingratos repulsivos.
Por gerar e prover, as mães são o máximo que a humanidade pode chegar próximo a ideia do que seja Deus - para quem acredita em milagres. Uma mãe encarna as “virtudes divinas”, elas possuem fé, força além dos limites do suportável para prover e defender sua prole, uma mãe tem sentidos aguçados e complexos quando se trata daquele que ela gerou ou adotou em seu coração. Já ouvi, vi e senti coisas extraordinárias quando se trata de mãe. E definitivamente, eu não as odeio. Nem mesmo a minha.
Para a pergunta que fiz, adianto, não tenho respostas, só mais perguntas.
Eu não sei o que é ser mãe, eu não sei o que é ser mulher, não sei o que é ser humana. Tampouco procuro um padrão, ideia, conceito, modelos, etc. Gostaria apenas de saber algumas coisas.
Por que uma mulher deseja ser mãe? Ver sua barriga crescer, seus seios incharem de leite, seu bebe no colo, depois ele fazendo um, cinco, quinze, cinquenta anos?
Ter um filho é realizar um sonho ou ter uma companhia: que tipo de companhia? O que significa sonhar com o futuro desta criança?
A mãe ao realizar seu sonho materno, não está sendo egoísta em relação ao meio ambiente tão saturado, sendo desaconselhável derrubar mais florestas para se plantar mais comida? E em relação às outras espécies de mães? A vaca, por exemplo? Tendo um filho, certamente comerá mais carne; demandará mais recursos para prover está nova vida humana?
Quanto custa ao meio ambiente uma vida humana?
Quantas árvores são necessárias? Quanto leite, carne, ovos, couro, algodão? Quanto espaço de terra é necessário para o plantio dos alimentos que está vida necessitará? Quanto de água para ele tomar banho, beber, preparar alimentos: As indústrias na fabricação das “coisas” que este cidadão irá consumir, além de precisar da matéria prima vinda da natureza, também demanda mais água. Sem questionar tantas outras coisas que não tenho nem mesmo noção do que seja para se promover a vida de um cidadão comum.
Não seria o momento de conversar sobre a responsabilidade, a ética destas mulheres que desejam filhos? Nem estou discutindo a educação de modo geral que elas irão dar, ainda.
Todo seu corpo feminino, instintos, química, emoções correm para maternidade. Isto é uma prova irrefutável àqueles que colocam a nossa digníssima raça fora do reino animal. Somos animais, e que tipo de razão é esta que nos gabamos tanto e nos diferencia eu questiono, ponho a prova todos os dias. Uma razão que mais destrói que constrói? Porquê o “lado predador da força” ganha daqueles que querem viver sem destruir o meio ambiente, respeitando e coexistindo com outras vidas? Uma árvore além de sua vida, promove a vida de inúmeros organismos que vivem nela ou dela.
Os corpos femininos ficam febris e sedentos para conceber. Nada mais de acordo com todo o sistema natural do nosso planeta. No entanto, esse instinto nos faz dar continuidade à espécie, mas veja bem, continuar passa por um desejo particular. Neste desejo particular qual mulher, de fato, encontra-se preparada para criar uma criança para o mundo de forma a coexistir com tudo que ele abriga? E o que é “estar preparada para educar”? Para tornar esta criança um ser saudável emocional e fisicamente? Para que ela seja útil para si no sentido de ser feliz e também à sociedade?
Questiono: o desejo de continuar a si mesma é o mesmo que continuar a humanidade? Talvez tudo seja uma coisa só ou não! Mas o fato é: quando elas vão ao mercado comprar a carne que desmata florestas, comprar o leite cheio de hormônios, os embutidos, enlatados que entopem as veias do marido, causa obesidade infantil, depressão e varias outras doenças cuja causa, muitas vezes, está no tipo da alimentação, depois de envenenar a família-feliz e compactuar com o consumo destrutivo; depois de desperdiçar porcentagens significativas da compra do mês, vão jogar no lixo juntamente com a sacola plástica do mercado, será que ela está pensando no futuro da humanidade?
Que raça extraordinariamente contraditória, não? Quer preservar e dar continuidade a raça humana, mas destrói o meio que vive, além de maltratar e matar seus semelhantes...
Estou generalizando, existem exceções adoráveis, no entanto, baseio-me na classe média que lê a Veja, assiste a Globo, discute as notícias do jornal Folha de São Paulo e vão ao shopping usar o cartão de crédito para suas necessidades superficiais, discutem metafísica em botecos, enquanto tantas pessoas precisam do absolutamente necessário para continuar vivas e se reproduzir também. Afinal, que raça é essa? que dificula a vida, a continuidade da próprai espécie?
Sem mencionar mães pobres que tem filhos para a rua criar e a sorte lhes abençoar, além das ricas que criam predadores sociais e ecológicose tantas outras coisas que estou cansada para escrever. Mas aviso, em qualquer classe, existe exceção, nada é igual. eu falo do padrão, dos costumes, da moral.
Por que ser mãe? Talvez uma aposta de companheirismo e previdência na velhice?
Apostas altamente arriscadas. É possível falar em uma ética ou moral para a maternidade que englobe coexistir de forma sustentável no planeta?
talvez a questão nem seja da quantidade de pessoas no planeta e sim, da forma como nos comportamos aqui.