7.12.08

Maria dos meus pecados

Avisei:

não se apaixone por mim

(nossas roupas espalhadas pelo apartamento)

...

TEXTO DISPONÍVEL NO LIVRO:

DEDOS NÃO BROCHAM, ED DRACO: Livraria Cultura

12.10.08

tribadismo ao entardecer

lola bravo


Sem dúvida: o entardecer é o momento dos amantes.
Infiéis e pecadores, gulosos e sem vergonha. Malditos apaixonados sem compromissos.
Gemidos sinceros, gozos intensos.
Cuidados extremos e nem tanto.
É meu horário. Minhas verdades. Meus gemidos suados, meus risos safados.
Olhos arrepiados, pele brilhante.
Ontem à tarde, minha primeira vez com ela.
Nos conhecemos em meio aos livros, logo que a vi, senti uma necessidade extrema de saber qual era o cheiro entre seus seios. Aqueles cabelos longos me enlouqueceram, sua pele fresca e branca com pelinhos dourados me fizeram salivar, sem falar do olhar, da boca, da promessa dos seios oferecidos e do segredo entre as pernas.
Eu não sabia que ela gostava de transar com meninas, pois tão feminina , delicada e suave não pude perceber de imediato. Mas ela falava sobre livros, livros me cativam e quanto mais ela falava, mais eu me envolvia.
Queria saber mais. Mais.
como encantá-la?
Depois de algumas semanas entre mensagens de texto por celular, e-mails, cafés, ontem à tarde foi nossa primeira vez. Fui até sua casa, conversamos, bebemos e nos beijamos. Eu estava tonta de tesão.
Ela usava um vestido abaixo dos joelhos. Adoro mulher de vestido e descalça. Depois dos beijos, dos toques mais ousados, das atitudes mais urgentes, ela tirou minha blusa e eu comemorei o sinal verde. (risos). E fiz algo que só faço com as mulheres, pois somente as mulheres me remetem as delícias de um parque de diversões, seus cheiros de algodão doce, seus sabores de maçã do amor e suas roupas como embrulhos dos presentes. Só quando dispo uma mulher sinto a empolgação da surpresa.
Subi o vestido devagar enquanto beijava suas coxas, passava as mãos entre as pernas, ameaçava um toque mais íntimo, deslizava em seus contornos para finalmente tirar-lhe o vestido e contemplar a beleza livre da carne em tons.
Puxei-a para a ponta do sofá, e depois de ameaças excitantes, finalmente minha boca estava onde eu e ela tanto queríamos. Passamos uma tarde no sofá, no tapete, na cama e sob a água do chuveiro. O cheiro entre seus seios é algo que me fez perceber a urgência e o delírio dos viciados em heroína. A beleza íntima rosadinha entregue a mim, os sons e as caras de prazer que ela fazia, seu olhar após o gozo...aiii
Eu aprecio a luz durante o sexo. Adoro olhar nos olhos e ver o que as palavras não podem expressar. O olhar de cada um quando goza é um espetáculo singular. Poder observar os pelos eriçar ao toque, ver a cor do rosto se transformar em tons afogueados, eu sei, nenhuma luz é mais perfeita para se apreciar tal beleza humana, que a luz do entardecer.

7.10.08

Inquietações de uma rainha do lar

... diante do espelho, percebi e senti intensamente o descaso que dedico a mim. percebi camadas sutis dessa armadilha que me coloquei e ainda me prendo....

texto disponível no livro:

DEDOS NÃO BROCHAM, ED DRACO: Livraria Cultura

29.9.08

Ambigüidade.

Sobre meus afetos digo:

- que gosto do corpo feminino, pois me remete ao deleite dum parque de diversão com seus doces, seus caminhos convidativos e brinquedos delirantes, pelas emoções e sons durante o sexo, pelo riso e o olhar de desejo, pelo afeto e acolhimento quando gozam. Mas que fujo delas quando se transformam loucas.

- que gosto da força do corpo masculino, das mãos que me apertam e levantam pela bunda, da aptidão em mensurar força, fúria e desejo quando me penetram. Da racionalidade e linearidade no convívio. Mas que fujo deles quando se transformam cruéis.

Não posso estar no mundo sem os dois afetos, mas não posso conviver nem com a loucura e nem com a crueldade.
No entanto, será que sou eu a deixar as mulheres loucas e os homens cruéis? Não pude deixar de me observar neste jogo. Posso eu então, fugir deles para que não testemunhem minha crueldade e loucura? Talvez sim, pois sou tão louca e tão cruel quanto meus amantes. E isso não é retórica, é fato! Sou perigo, posto que sou fogo e em quase nada meu coração entrego.

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