9.12.09

2.12.09

Sobre faróis apagados


Acordei brochada.
Nem o calor conseguiu me empurrar pra fora e só não fiz xixi na cama porque não sei.
Chamo seu nome e o vazio que ouço queima minha língua.
Mensagens no celular sinalizam tempo em tempo o insuportável.
Som da campainha. Batida na porta. Alguém me chama no corredor.
Arrasto meu corpo de 393kg. Era preciso evitar mais intrusos. Pergunto áspera quem é. Minha tia querendo favor. Não abro a porta. Não posso fazer favores.
No banheiro, ligo o chuveiro, sento no chão, nunca antes havia feito xixi assim.
Não sinto vontade de chorar. O telefone toca, toca, toca.
Na minha cabeça senta um mastodonte.
Meu corpo triplicar de peso e o cérebro gelatina num pesadelo lento e dulcíssimo.Volto pra cama sem me secar. Abro a janela. Tento. E tudo dói demais.
Preciso de café. Três goles quentes num dia quente. Suor. Assim talvez eu derreta mais rápido. Náusea. Mensagens de cadê você? Da operadora. Da tia dizendo que sou louca. Desligo o telefone. Ligo o computador e já é quase fim do dia. As palavras arranham minhas paredes internas. Querem sair para quê? O que querem dizer? Mas elas vão saindo como diarréia e me sinto melhor.
Esvazio-me de mim.

29.11.09

haishá - "a mulher."

haishá, deixa de ser ezer kenegdó*
leia a pedagogia do Marquês, queime-se no fogo
depois cuspa nesse fogo e apague sua fé

ah haishá, preocupa-me tanto sua servidão voluntária
e você não se importa com minhas queixas existenciais
fica nessa conversinhaclichê de mãe religiosa

que eu faço? vou a Paris em breve
não quero saber de você
queria te esquecer, mas haishás pelo mundo não permitirão

que triste viver para o marido e os filhos, haishá
triste não saber o que você poderia ser
se tudo que é

é um não ser

triste é você querer me modelar para ser haishá
mas a filosofia libertina
revelou-me
_____________

*“E disse o Eterno; far-lhe-ei uma contra-ajudante (EZER KENEGDÓ)" - Gênesis
pois “viu Deus que não era bom para o homem estar só”.

Amoreira em greve


Amoreira em greve e eu querendo tingir minha língua de roxo
LIVRARIA CULTURA

28.11.09

masturbação

Helmut Newton

tempo de amar

a começar por si mesmo


QUERO SER SACI PERERÊ


menina da favela quer ser loira, esguia, top
*
*
menina do condomínio quer ser top, esguia, loira
*
*
essas meninas
*
*
que meninas são essas?
*
*
repetição de um modelo
*
foto de Helmut Newton

O espanto do corpo nu

Helmut Newton, fotografo apelidado de Marquês de Sade da câmera 35 mm 

Esconder os sexos: duro e molhado
Cobrir o corpo sempre o desejo de cobrir um corpo
E se mostrar? atentado de um pudor dementedoente
De onde vem essa vergonha do corpo? de esconder o corpo?
...

Livro DEDOS NÃO BROCHAM, ED DRACO
AQUI! NA LIVRARIA CULTURA.

14.11.09

Cortázar e Minha-imaginação-abre-qualquer-segredo-no-mundo



Cortázar me chamou da chuva. Fiz-me desentendida, estava insuportavelmente limpinha.

Ele dizia deitado no sofá enquanto eu coavacafé: você precisa sair dessa zona de conforto que te fode a mente sem consentimento.

Desse dia em diante me sujo com toda sorte de gente pelas esquinas do mundo. Demoli a casa dos meus pais, matei a TV a pauladas, rasguei meu Registro Geral, nem sei qual minha nacionalidade e se me perguntam: natural de onde? respondo: Heráclito. Eu gosto da chuva.

Vivo de reinventar: sapatos, livros, camas, hábitos...

Minha imaginação abre qualquer caixa de segredo.

trago na carteira um bilhete dele que diz assim:

-, ninguém enriquece com a literatura se ao mesmo tempo não for capaz de chupar um pêssego aproveitando a mão livre para levá-lo a boca, se não fizer amor entre duas páginas, se não se debruçar na janela para saber que durante o último mês cinqüenta crianças morreram queimadas na região se Saigon, e que em Biafra os nigerianos ajudados pelo nobilíssimo Reino Unido degolaram todos os pacientes de um hospital; será preciso repetir, professor Papalino Zeta, que a literatura não é um terreno privilegiado no sentido escapista que tanto convém e adorna? Biafra e o erotismo, a chuva de napalm e os Jogos Venezianos de Lutoslawski: a poesia continua sendo a melhor possibilidade humana de realizar um encontro que ninguém descreveu melhor que Lautréamont e que pode fazer do homem o laboratório central de onde algum dia sairá o definitivamente humano, a menos que antes disso todos nós tenhamos ido para a casa do caralho.(NOTÍCIAS DO MÊS DE MAIO)

4.11.09

AS COISAS



_ é assim e deixamos as coisas como estão?
_ as coisas só precisam de um começo.
_ mas no meio é quando sonhamos todas as coisas.
_ e o fim é quando percebemos como somos tolos.

30.10.09

caminhos

ferro passa
hematomas passam
pulo muro passo

não olho atrás do tapaolho

não é onde vou chegar
mas no meio
como ser águia?

foto de HENRI CARTIER-BRESSON

15.10.09

10.10.09

Páthos que me ferve

OSTROWER, Fayga







O amor que ele diz sentir por mim é uma mentira. Mentira pra ele, não pra mim. Eu acabei o jogo. Não desisti, nem abandonei. Uma hora tudo acaba. Acabou, eu parti.

Para mim é simples, pra ele é tudo uma tentativa de me forçar a jogar, de me forçar a voltar.

Mas não gosto de me despedaçar. Esse é o intuito desses joguinhos infantis.



Não quero mais jogar minhas pernas ao redor do seu corpo quentinho.


Toda volta tem um preço. Veja bem, quando nos afastamos da relação e depois voltamos pra ela, voltamos pra ceder. Deixar de ser um pouquinho quem somos para agradar quem queremos por perto. Tentamos. O outro tenta. Mas depois de um curtíssimo período tudo volta a ser como antes e simplesmente por que não sustentamos bancar o que não somos.

O cruel disso é que muitas pessoas embarcam nessas relações de tentar mudar o outro. Que peleja mais inútil e descabida.

Como entender tais frases: Eu amo fulano, mas não gosto do jeito dele. Ele tem que mudar pra gente ficar junto; o gênio dela é confuso, ela tem que mudar pra ficar comigo. – O que a pessoa quer com esse outro que não lhe agrada?

Foi assim, ele disse: Te amo, muito, tanto que nem sabia ser possível amar assim, mas esse seu jeito de gostar de ficar e sair sozinha, falar coisas estranhas, essas ideias moderninhas de não gostar das coisas normais, esse seu temperamento que uma hora é uma, depois outra me incomoda, me constrange.

Eu ouço o discurso tentando compreender a intenção daquele ser que diz me amar, mas não gosta de quem sou (de quem ele gosta?) – ele não tem obrigação de compreender quem sou, mas daí a odiar e querer que eu seja outra para mim é bastante sem lógica. Mas a mente passional não é racional. Paixão do grego páthos - patologia - doença. Mente doente, paixão é doença inflamatória que degenera as ideias, a razão.


(doença social aceitável, em excesso torna-se perigoso. Melhor eu encontrar um lugar seguro para morar onde sua mente passional -patológica ignore o endereço. Até que ele compreenda que não tem esperança e assim, cure-se).

Pergunto-me quais são seus mimos frustrados; o que ele projeta em mim; qual é a fonte da esperança que o nutri na crença de que vou voltar?
Mas confesso: às vezes a saudade dói que nem varada de marmelo. E quando busco saber do que tenho saudades percebo: ilusão. Como é doce e fácil viver na ilusão. Ter alguém cuidando de prover sua vida. Percebi que é fácil deixar levar-se neste castelinho-armadilha. È uma ilusão que alimenta outra, quando desmorona vê-se o rombo vazio e tedioso. É fácil ser esposa-mãe e dona de casa; sabemos desempenhar essa função mesmo sob as mais diversas condições a milênios. Porém, emancipar-se das ilusões um caminho desconhecido que nós mulheres vislumbramos a possibilidade agora. São poucas a nos dar notícias desse caminhar para o ser Mulher.


31.8.09

"La única iglesia que ilumina, es la que arde"



Toda menina tem um prima devassa
a minha, sabia manter o vestido limpo na missa de domingo.
Papai mandava me comportar igual a ela.
obedeci.




19.7.09

AuTossabOtagem

Não entendo por que me sabotei. De novo.
Lá estava eu, dentro daquele avião, embrulhada na bolha de aço.
Depois de três horas percebi o perigo acariciando minha mão. Ela.
Ardilosa, me levou no papo. Enrolada em lençóis eu cedi improvisando passos de tango sobre a cama.
Mas em plena El Ateneo, um show de mulherzinha possessiva. Por que as mulheres que se apaixonam por mim são tão loucas? (eu rio) ela enlouquece, (viro a cara) ela segura meus cabelos e me força a ver o que mais me aborrece: uma mulher enciumada, lúcida e dolorida pela desilusão romantiquinha não correspondida.
Ela me quer em sua claustrofóbica bolha amante pirada.
Morro de tédio. Uma vontade de deixá-la ali e seguir adiante na avenida Santa Fé. Fico enjoadinha pela falta de ar que me provoca. Eu tenho um preço, Buenos Aires. Ela pagou, eu vendi. Nem sempre os negócios são bons nas relações humanas.
Na avenida Santa Fé ela aperta meu braço, cobra! Pergunto-me o que faço comigo. Os argentinos são homens lindos, a tarde tem um tom laranja enevoado, e enquanto penso em mim, me encanto com a arquitetura, ela fala sem parar... caminhamos, eu ouço tudo sem vontade de responder. Penso em passagens do livro Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal Aquino, em suas citações de Schianberg Nenhuma vida está completa sem um grande desastre. Penso na beleza do livro: paramos. Ela chora enquanto fala: meu corpo se dobra violentamente para frente e vomito em suas botas estilosas.

El Ateneo, a segunda livraria mais linda do mundo. Queria ficar perdida naquelas estantes, encalacrada no silêncio de um livro fechado.

Mulheres apaixonadas criam muitas expectativas.

Acho que não posso abrir mão de mim. Não com ela. Não hoje, que vivo o sonho de hibernar socialmente para não morrer nestes tempos líquidos.

12.7.09

Intumescido

Soberbo
Urgente
Ensonado

Saboroso
Na promessa
E no paladar da pele

Senhor
de si
Nunca de mim

quando só: fecho os olhos
e ele vem.
A vontade já estava lá

4.7.09

O que é uma mulher?


"Ouse, ouse... ouse tudo!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!" Lou Salomé





retirado para edição impressa

1.7.09

N a v a l h a _ n a _ “v u R v a”

A coisificação da mulher e...
... a humanização da coisa.



exploração? da jovem beleza feminina? da parte de quem? mídia? consumistas? empresários? pais mercenários? criação da bunda? leva a bunda pra revista e fica rica? sociedade? capitalista? incentiva a pornografia? maldita? qual verdade será dita? viva a mentira? filho bom de bola? filha com bunda bonita? escola onde fica? na utopia? na puta da esquina? nas revistas mais ricas? na punhetaria? Na decoração da oficina, das selas nos presídios? na menina que dá vida à bunda mais querida? A menina o que quer? ser desejada pelo príncipe? ficar rica? pra comprar o quê? de volta a vida? que a bunda roubou? que a família se esperançou? que saiu na revista? que dançou na televisão? isso enriqueceu a nação? trouxe acréscimo ao progresso? que progresso? No acréscimo da conta? De quem?

28.6.09

17.3.09

O corpo sempre diz a verdade - Confissão I: O Olhar



Ela me deixou assim quando sustentou meu olhar: sem vontade de correr vontade de deitar em seu colo e entregar minha vida rir de lembranças velhas pegar na mão e segurar o tranco da vida. ver 1825 dias ininterruptos o espetáculo do sol iluminar seu caminhar até o banheiro enquanto puxa a calcinha e reclama por acordar cedo. gostar de querer mais 1825 dias começados assim. desejar vencer na vida só para ter de volta o direito legítimo do tempo e ficar com ela.
Sua voz me toca como zilhões de pontas de dedos, tudo em mim torce pelo som daquele sim; riso com lágrima - eu sinto nojinho de lágrima - não das lágrimas dela. um ar novo para uma vida de tédio. uma coisa doce pra se olhar e desejar.
Gritar pra todo mundo que ela disse SIM. Bem ali, num café de Paris.

4.3.09

Pitanguinha



“Entupia-se do gosto de goiaba, romã, cajamanga, fazendo de seu corpo parte do pomar, embora fosse mais íntima das frutinhas pequenas que a ensinaram a explodir na boca do amante e deixar um azedinho no fundo.
Era somente uma menina naquela época mas sabia escolher seus homens, preferindo os famintos, aqueles que não pudessem se conter em meio a profusão de cheiros numa tarde quente. Conduzia-os com calma, fazendo-se de menininha distraída que trepava sem calcinha nos galhos mais altos da jabuticabeira. Até os mais santos davam vez ao tarado observando aquela bucetinha madura que voava de galho em galho. Depois se esparramava pela terra, lambuzando-se no caldo das mangas e ensinando como devorá-las até o bagaço. Nesse ponto eles já pouco pensavam, confundindo o que seria fome, ou calor e se deixavam também ser maliciosamente ingênuos... perdendo assim suas roupas ao caminho da pitangueira, onde colhiam o primeiro mamilo que se revelava numa confusão de cores similares. Já tão sedentos davam vez ao ritual, e era isso que a menina queria, para ela só existia amor na brutalidade da urgência: era enfim chupada, espremida, pisada e abocanhada até o último sumo para ser libertada.
Seus amantes, pobres meninos e homens rústicos, fugiam em carreira louca, atormentados por culpas e pudores enquanto ela permanecia já sem lembrar deles.
Deixava seu sangue decompor na terra, germinando a próxima estação".
***
escrito por Celso Amancio - para mim - lá na oficina.

21.2.09

A CRISE DA MENTIRA


Deus sabe o quanto aprecio uma mentira perfeitamente arrematada. E o diabo o quanto acho graça e encanto nas hipocrisias dos meus semelhantes.
Explico:

Na revista Piauí_29 saiu uma matéria sobre Laurita Mourão, escritora de mais de 70 anos, entre outras coisas diz: só não faço mais sexo por falta de mão de obra. É um bom texto, a entrevistada ajuda muito. Adorei. Confesso que não a conhecia. Faz a velha Dercy parecer uma beata casta. Alias, sempre achei Dercy raivosa demais para falar sobre sexo. Ao contrário, Laurita fala com paixão, prazer e diz que o melhor amante é o francês: na cama o francês dedica as mulheres os mesmo direitos sem pudor. O premio de pior fica para os americanos, pudicos e cheios de culpas.

Eu nunca transei com um francês ou francesa, mas transarei. Não esta nos meus planos dar atenção a um americano, como não DOU atenção a brasileiros “militares-empresários-de-extrema-direita-cristã”. Minha experiência internacional limita-se a um argentino e a uma espanhola.

No meu tcc, trabalho o feminino no século XVIII na perspectiva de Denis Diderot, a partir de uma discussão levantada pelo acadêmico francês A. L. Thomas, respondido com fervor por Madame D’Epinay e Diderot, que discorrem sobre o tema O Que é uma mulher?. Além deste, coloco na briga o nobre materialista Marques de Sade.
Madame D’Epinay defenderá uma influência social-cultural sobre a formação das mulheres e Diderot, materialista, dirá que a mulher é governada pelo seu útero. Já o Marques, sodomiza qualquer um.

Mas a questão que pretendo discutir com meus dedinhos mal dando conta de digitar, é que ambos (Diderot e D’Epinay) dizem que ao envelhecer a mulher deixa de ter seus atrativos frescos para o deleite do sexo, assim como seu útero, de ser útil. Tornando-se uma mulher um ser sem graça e sem utilidade para a sociedade.

Quer dizer: a mulher é um ser de utilidade? para dar prazer e gerar descendentes? Isso mudou do XVIII para os dias de hoje? Acho que - especulando - muito pouco.

Este é o amontoado de idéias grosseiras que tive enquanto conversava com um cliente na livraria que trabalho. Falávamos sobre a revista e a matéria de Laurita Mourão. Ele um quase cinquentão muito atraente, por isso dei tanta atenção. Dizia que a mãe dele de 70 anos é “muito ativa”. Eu quis saber se sexualmente ativa. Ele respondeu um “Tomara” sem olhar nos meus olhos; creio que ele nunca pensou nisso. Mas continuou a defender sua postura liberal sobre as mulheres velhas.

Nunca entendi essa frase-pronta para falar de velhos: “ah, fulana(o) é bem ativa(o) e lúcida(o)”. Tipo, aquele trapo de gente ainda é capaz de colocar comida na sua boca, levar sua bunda até o banheiro e depois lavá-la. Até o vocabulário para se referir a "terceira-melhor-idade" é um chute na boca do bucho. Quanta hipocrisia.

Valha deus-pai-ausente, envelhecer é uma desgraça! não desejo isso a ninguém é insustentável o siêlncio do tempo enquanto nos mastiga. Mal que chega pelo olhar dos outros.
A graça da mentira mal costura é quando vejo o tal cinquentão atraente no café com sua “esposa”, usando aliança de casal abençoado pelo santo-matrimonio-de-merda-amém, e rio gostoso: ela não tem mais que 22 anos de idade.
Sem problemas, óbvio. Se o sexo é consentido, tanto faz um de 70 outro de 25.

Quer dizer: tudo que ele me disse não passou de um discurso politicamente correto? Defendemos nosso direito futuro de trepar, mas enquanto ainda somos relativamente jovens, vamos comer jovenzinhos, depois nem mais velho quer velho?

É inquestionável o sabor e o cheiro de um corpo fresco, uma mente sem vícios de joguinhos bestas e um coração ainda leve em relação as danurinhas da vida. A companhia é agradável, embora tediosa muitas vezes.

Aos 70 anos, cheia de vida Laurita quer trepar. E digo, que trepe mulher! viva poque este é seu tempo.

13.2.09

PORTAS ADJETIVAS


Portas vermelhas
Negras portas
Portas brancas
Amarelas portas
Mestiças
Portas

Todas Vigiadas!

Portas escancaradas
o que entra e sai é comentado
o que sente é confiscado, roubado, negado.
Portas atormentadas, subjugadas
Ignoradas, fechadas, dissimuladas
Cadelas marginalizadas caladas
Filhos(as) da puta à beira da porta
Filhos(as) da puta dentro da porta
Na beira das portas
moscas e urubus, abelhas e quem beija a flor.
soleiras cheias, outras capinadas
“Cuidado com as portas”
“des-bastar de ervas daninhas!”
ecoa pelo tempo a carnificina metafísica: A morte é na Mente!
carne dormente, porta selada, alfabetizada, doutrinada, machificada*
Acaso são portas do mal, do amoral, do imoral, dos vícios?
Pecado! Pecado! Pecado!
Onde carrega a sua culpa?
Odeio ouvir pecado; sentido que nem existe: não mesmo!

(Das portas para dentro: quentinho
Para fora: Ilustração!
Não divinize nem faça oferenda às portas: COEXISTA)

Portas arrombadas pintadas de vermelho.
Enclausuradas, ressecadas, acinzentadas, amaldiçoadas, veneradas, coisificadas, comercializadas, consumidas, consumistas...com..com...sem!
Constantemente.
Ecos! Cheiro de porta queimada.
Melancolicamente servil.
Grosseiramente mirada.
Maldosamente ASSASSINADA.
E tudo porque é uma porta. Que nada sabe o que se passa dentro.
O que cada porta guarda em segredo?
_____________________________________
*machificada: ter ideia e comportamento machista.

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