21.2.09

A CRISE DA MENTIRA


Deus sabe o quanto aprecio uma mentira perfeitamente arrematada. E o diabo o quanto acho graça e encanto nas hipocrisias dos meus semelhantes.
Explico:

Na revista Piauí_29 saiu uma matéria sobre Laurita Mourão, escritora de mais de 70 anos, entre outras coisas diz: só não faço mais sexo por falta de mão de obra. É um bom texto, a entrevistada ajuda muito. Adorei. Confesso que não a conhecia. Faz a velha Dercy parecer uma beata casta. Alias, sempre achei Dercy raivosa demais para falar sobre sexo. Ao contrário, Laurita fala com paixão, prazer e diz que o melhor amante é o francês: na cama o francês dedica as mulheres os mesmo direitos sem pudor. O premio de pior fica para os americanos, pudicos e cheios de culpas.

Eu nunca transei com um francês ou francesa, mas transarei. Não esta nos meus planos dar atenção a um americano, como não DOU atenção a brasileiros “militares-empresários-de-extrema-direita-cristã”. Minha experiência internacional limita-se a um argentino e a uma espanhola.

No meu tcc, trabalho o feminino no século XVIII na perspectiva de Denis Diderot, a partir de uma discussão levantada pelo acadêmico francês A. L. Thomas, respondido com fervor por Madame D’Epinay e Diderot, que discorrem sobre o tema O Que é uma mulher?. Além deste, coloco na briga o nobre materialista Marques de Sade.
Madame D’Epinay defenderá uma influência social-cultural sobre a formação das mulheres e Diderot, materialista, dirá que a mulher é governada pelo seu útero. Já o Marques, sodomiza qualquer um.

Mas a questão que pretendo discutir com meus dedinhos mal dando conta de digitar, é que ambos (Diderot e D’Epinay) dizem que ao envelhecer a mulher deixa de ter seus atrativos frescos para o deleite do sexo, assim como seu útero, de ser útil. Tornando-se uma mulher um ser sem graça e sem utilidade para a sociedade.

Quer dizer: a mulher é um ser de utilidade? para dar prazer e gerar descendentes? Isso mudou do XVIII para os dias de hoje? Acho que - especulando - muito pouco.

Este é o amontoado de idéias grosseiras que tive enquanto conversava com um cliente na livraria que trabalho. Falávamos sobre a revista e a matéria de Laurita Mourão. Ele um quase cinquentão muito atraente, por isso dei tanta atenção. Dizia que a mãe dele de 70 anos é “muito ativa”. Eu quis saber se sexualmente ativa. Ele respondeu um “Tomara” sem olhar nos meus olhos; creio que ele nunca pensou nisso. Mas continuou a defender sua postura liberal sobre as mulheres velhas.

Nunca entendi essa frase-pronta para falar de velhos: “ah, fulana(o) é bem ativa(o) e lúcida(o)”. Tipo, aquele trapo de gente ainda é capaz de colocar comida na sua boca, levar sua bunda até o banheiro e depois lavá-la. Até o vocabulário para se referir a "terceira-melhor-idade" é um chute na boca do bucho. Quanta hipocrisia.

Valha deus-pai-ausente, envelhecer é uma desgraça! não desejo isso a ninguém é insustentável o siêlncio do tempo enquanto nos mastiga. Mal que chega pelo olhar dos outros.
A graça da mentira mal costura é quando vejo o tal cinquentão atraente no café com sua “esposa”, usando aliança de casal abençoado pelo santo-matrimonio-de-merda-amém, e rio gostoso: ela não tem mais que 22 anos de idade.
Sem problemas, óbvio. Se o sexo é consentido, tanto faz um de 70 outro de 25.

Quer dizer: tudo que ele me disse não passou de um discurso politicamente correto? Defendemos nosso direito futuro de trepar, mas enquanto ainda somos relativamente jovens, vamos comer jovenzinhos, depois nem mais velho quer velho?

É inquestionável o sabor e o cheiro de um corpo fresco, uma mente sem vícios de joguinhos bestas e um coração ainda leve em relação as danurinhas da vida. A companhia é agradável, embora tediosa muitas vezes.

Aos 70 anos, cheia de vida Laurita quer trepar. E digo, que trepe mulher! viva poque este é seu tempo.

13.2.09

PORTAS ADJETIVAS


Portas vermelhas
Negras portas
Portas brancas
Amarelas portas
Mestiças
Portas

Todas Vigiadas!

Portas escancaradas
o que entra e sai é comentado
o que sente é confiscado, roubado, negado.
Portas atormentadas, subjugadas
Ignoradas, fechadas, dissimuladas
Cadelas marginalizadas caladas
Filhos(as) da puta à beira da porta
Filhos(as) da puta dentro da porta
Na beira das portas
moscas e urubus, abelhas e quem beija a flor.
soleiras cheias, outras capinadas
“Cuidado com as portas”
“des-bastar de ervas daninhas!”
ecoa pelo tempo a carnificina metafísica: A morte é na Mente!
carne dormente, porta selada, alfabetizada, doutrinada, machificada*
Acaso são portas do mal, do amoral, do imoral, dos vícios?
Pecado! Pecado! Pecado!
Onde carrega a sua culpa?
Odeio ouvir pecado; sentido que nem existe: não mesmo!

(Das portas para dentro: quentinho
Para fora: Ilustração!
Não divinize nem faça oferenda às portas: COEXISTA)

Portas arrombadas pintadas de vermelho.
Enclausuradas, ressecadas, acinzentadas, amaldiçoadas, veneradas, coisificadas, comercializadas, consumidas, consumistas...com..com...sem!
Constantemente.
Ecos! Cheiro de porta queimada.
Melancolicamente servil.
Grosseiramente mirada.
Maldosamente ASSASSINADA.
E tudo porque é uma porta. Que nada sabe o que se passa dentro.
O que cada porta guarda em segredo?
_____________________________________
*machificada: ter ideia e comportamento machista.

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