17.3.09

O corpo sempre diz a verdade - Confissão I: O Olhar



Ela me deixou assim quando sustentou meu olhar: sem vontade de correr vontade de deitar em seu colo e entregar minha vida rir de lembranças velhas pegar na mão e segurar o tranco da vida. ver 1825 dias ininterruptos o espetáculo do sol iluminar seu caminhar até o banheiro enquanto puxa a calcinha e reclama por acordar cedo. gostar de querer mais 1825 dias começados assim. desejar vencer na vida só para ter de volta o direito legítimo do tempo e ficar com ela.
Sua voz me toca como zilhões de pontas de dedos, tudo em mim torce pelo som daquele sim; riso com lágrima - eu sinto nojinho de lágrima - não das lágrimas dela. um ar novo para uma vida de tédio. uma coisa doce pra se olhar e desejar.
Gritar pra todo mundo que ela disse SIM. Bem ali, num café de Paris.

4.3.09

Pitanguinha



“Entupia-se do gosto de goiaba, romã, cajamanga, fazendo de seu corpo parte do pomar, embora fosse mais íntima das frutinhas pequenas que a ensinaram a explodir na boca do amante e deixar um azedinho no fundo.
Era somente uma menina naquela época mas sabia escolher seus homens, preferindo os famintos, aqueles que não pudessem se conter em meio a profusão de cheiros numa tarde quente. Conduzia-os com calma, fazendo-se de menininha distraída que trepava sem calcinha nos galhos mais altos da jabuticabeira. Até os mais santos davam vez ao tarado observando aquela bucetinha madura que voava de galho em galho. Depois se esparramava pela terra, lambuzando-se no caldo das mangas e ensinando como devorá-las até o bagaço. Nesse ponto eles já pouco pensavam, confundindo o que seria fome, ou calor e se deixavam também ser maliciosamente ingênuos... perdendo assim suas roupas ao caminho da pitangueira, onde colhiam o primeiro mamilo que se revelava numa confusão de cores similares. Já tão sedentos davam vez ao ritual, e era isso que a menina queria, para ela só existia amor na brutalidade da urgência: era enfim chupada, espremida, pisada e abocanhada até o último sumo para ser libertada.
Seus amantes, pobres meninos e homens rústicos, fugiam em carreira louca, atormentados por culpas e pudores enquanto ela permanecia já sem lembrar deles.
Deixava seu sangue decompor na terra, germinando a próxima estação".
***
escrito por Celso Amancio - para mim - lá na oficina.

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