O que é ser uma mulher? Confissões e questionamentos sobre o feminino. Textos inspirados na literatura filosófica libertina do século XVIII Francês. Em Anaïs Nin, Simone de Beauvoir e outros homens e mulheres nus.

26 Março, 2009

SOU MULHER QUE CORRE COM LOBOS



Não sei como algumas mulheres suportam o casamento. Vou à casa de algumas amigas e fico observando a “dinâmica” marido-filhos-casa-carreira. E me pergunto como elas aguentam?
São mulheres saudáveis, com observações interessantes sobre várias coisas, jovens e inteligentes. Mas compraram a ilusão encalacrada no discurso social de tempos: fede mofo o portaretrato da família feliz mamãe-papai-e-filhinhos.

Uma de 30 anos me confidenciou que se fosse possível voltar no tempo, não teria filhos, tampouco se casaria. Pergunto a razão disso. O comentário dela é comum, porém muitas mulheres apesar de sentirem e pensarem exatamente isso, sentimentos que levam a culpa não as deixam verbalizar abertamente.

Ela vive num lar classe média, com dois filhos, pequenos tiranos, mimados e manipuladores. E que ninguém me taque pedras, crianças sabem como ninguém manipular um adulto - eu percebo o jogo, estou de fora - ela não.

É coisa do tal amor materno tido como incondicional cegar as mulheres que vivem na função de mãe, a suposta culpa por ficar fora o dia todo, são as armas utilizadas por estas criaturinhas fofas e engraçadinhas. Acho um absurdo a mulher ser tão imbecilizada com seus filhos, deixar de ser o centro de si mesmas para adorarem as crias. Não vejo nisso nenhum louvor digno de se alcançar as glórias dos céus-amém que eu quero é ir pro inferno.

As mães fazem tudo com um preço bem definido. Observem, pois a conta está embutida em tudo: nem mesmo as mães fazem nada de graça.
Enfim, mulheres-mães não são vítimas de seus filhos, haja visto que pariram e "tábulas rasas" e escreveram para serem seus “donos”. Mães são responsáveis pela sociedade medíocre que vivemos, pois constantemente criam idiotas para rebanho e não humanos auto suficientes. Bom, eu teria que definir etimologicamente o que penso ser um idiota, além de humanos alto suficientes. E não estou paciente para fazer isso.

Um exemplo, só para mostrar como vivem uma ilusão maternal egoísta é que, além de repetirem um modelo gasto de séculos, elas não se unem para mudar o ensino público, exigir que deem a seus filhos condições de escrever e ler com inteligência, associando, criticando, etc... As mães não se unem para salvar o que podem mudar, só para chorar a perda do instrumento de sua adoração, da sua “razão de viver”.

Francamente, abrir mão de si mesma para gerar tiranos, sustentar os mimos, caprichos e loucuras de um marido, sim, para mim, marido é o homem que deixa a mãe para pegar uma “mãe” com mais funções e mais jovem, capaz de lhe prover a infantilidade por mais tempo. Um “marido” é o filho que uma doida cata de outra. E vejo como eles são terríveis e dependentes.
Sempre vou a noite até a casa delas (maldade pura) é mãe e amor que nem se pode contar. Mãe quero isso... amor onde está... manheeeeeeeee.... amorrrrrrrr...

Nunca consigo ficar para o jantar.

Vou a casa delas como terapia contraceptiva marido-e-filho.

E para validar tudo que eu penso sobre “maridos” e como NÃO reproduzir um idiota-tirano-mimado-dependente-passivo-social.

Pobres garotas, era só ouvir as avós e as entrelinhas das mães e tias para perceber a teia ardilosa do casamento e dos filhos.
As mulheres são vítimas e algozes no jogo ardiloso de tempos da educação manipuladora e castradora que receberam. No entanto, estes sopros novos anunciam que os homens – além de algozes – são vítimas. É hora de trabalharmos juntos para uma humanidade mais saudável com a finalidade de libertarmos homens e mulheres do equívoco da dominação ideológica.

***
Que os deuses me ajudem a viver com tão poderosa liberdade.


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Dica para leitura:


"MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS"

de Clarissa Pinkola Estés

ed. Rocco


Ótima leitura.

17 comentários:

Bruno Cobbi disse...

Que os deuses me ajudem a viver com essa gente que abdica dessa liberdade.

Palmas!

sobral disse...

"Alto suficiente"?

sobral disse...

A possibilidade de gerar uma mulher como você me dá mais vontade de ser pai.

Paulo Augusto Franco disse...

Sua sutileza espivitada me convenceu a ficar lendo e a continuar, continuar...

Vicente Portella disse...

Não deu pra sacar se é uma tese ou um desabafo, mas deu pra perceber que vc molhou a pena no ácido para escrever esse texto...rs
Teu ponto de vista é verdadeiro. É isso mesmo. A sociedade é montada assim e a maioria aceita o jogo de ser e ter a família como refém, seja mãe, pai, marido, esposa ou filhos. Talvez até o jogo seja conveniente para todos. O drama maior , no entanto, é que ninguém quer sair disso em função da dominação. Mesmo o dominado acaba dominando alguém nessa história e é com o reflexo dela que se constrói a sociedade em nível macro. Os poderes estabelecidos são assim. Interdependentes, tiranicos, corrompidos... igualzinho ao que ocorre no doce lar diariamente.
Mas enfim, eu não me chamo Raimundo. Então não rola rima nem solução. Se a galera quiser, um dia essa correlação muda, talvez para algo mais maduro e sem joguinhos e subterfúgios. mas só se a maioria abrir mão do bobajal que os alimenta.
De resto, viva eu e viva tu. Viva o rabo do tatu.

Beijão.

OBS: Estava com saudades dos teus textos. Faz tempo que não boio pela net.

Nokenicus disse...

Hola, perdón si comento por acá, solo estoy pasando a saludar y también para invitarte a que pases y veas mi blog a ver si encuentras algo de tu agrado y si te gusta intercambiemos enlaces, una suerte de fucionar dendritas o algo asi diria yo,je.
Saludos y hasta la proxima.

Vicente Portella disse...

Maravilha... Unificando a AL via blog...rs

Beijão

Isabela disse...

Achei totalmente imatura sua observação sobre filhos. Mas não posso te culpar, você não tem obrigação de saber de nada, e quem fala sem saber acaba falando besteira mesmo. Nesses casos seria preferível calar, mas sou a favor da liberdade de expressão. Bom, não sei se um dia você terá filhos, mas tenho certeza absoluta que, se um dia isso acontecer, você vai mudar de idéia e perceber o tamanho da besteira que falou.

Isabela disse...

Acho até engraçado você indicar leitura tão boa e madura ao mesmo tempo que tece comentários dessa espécie. Se eu fosse você, laragava mão dessa posição pseudo-feminista esteriotipada e tentava entender de mente limpa o que realmente quer dizer o livro. Entenda o que é ser mulher, entenda qual a real natureza selvagem da mulher...

É Ella? disse...

Isabel, primeiro quero agradecer sua atenção em querer discutir a questão.
Segundo, sem ofensas e julgamentos, ok? Apenas discussão de idéias.
Eu não sou feminista, estudo o feminino não de modo geral, mas específico. O meu cerne da questão do meu estudo é a servidão voluntária das mulheres. “Carrego no tom do texto” para provocar discussões, mas embora tenha feito isso aqui - com a intenção que já mencionei - eu não generalizo. Deve existir uma “mulher-mãe” que saiba o que fazer com sua cria e por outro lado, crias que educadas por tais mães resultem em cidadãos úteis para si e para a sociedade de forma consciente do que seja tudo isso. Eu não fui educada para saber o que é ser mulher, muito menos sei qual é a natureza selvagem da mulher. Por isso questiono, procuro, ouço, leio e sem esperanças de um dia chegar a razão da crise. Alias eu não quero mais achar a razão desta servidão voluntária, quero encontrar como é possível viver hj. E este texto não reflete toda a opinião que tenho sobre filhos, poderia falar muito mais. Mas foi o que eu disse por hora.

É Ella? disse...

quero dizer tbm que não sustento nenhuma verdade, pois questiono todas e acrescentar que ninguém é referencia de verdade coletiva. Estamos todos tentando descobrir o que somos e como viver com isso. Eu não sou um ponto isolado, faço parte do coletivo, do meio ambiente. Meu instinto materno não esta condicionado a quem nasce por mim, mas sim se aflora quando ouço o vizinho bater no filho e eu vou até lá bater na porta dele e me intrometer sim, pois além de ser uma covardia praticada por adultos, tbm é um problema meu, pois que tipo de ser humano cresce neste amontoado de violência? Meu instinto materno se aflora quando vejo Lucas de 13 anos tentando aprender a fumar maconha sob uma árvore no condomínio que moramos. Eu esculhambo geral, fico conversando com os garotos e garotas até quando eu não agüento mais. Isso para não falar das crianças nos faróis, nas praças, e em tantos cantos do mundo sofrendo abusos e escassez de tudo. Mas como não sou santa, felizmente, me ocupo daqueles que estão ao meu redor. Instinto materno é saber que precisamos lutar por um bairro melhor, uma cidade com mais emprego, uma escola com menos cara de escola. (Sou professora da periferia) O amor das mulher-mãe é absolutamente condicionado aqueles que elas dão a vida. Condicionado! Eu sei do que falo. Prefiro não ter filhos. Uma atitude ecológica e radical.

É Ella? disse...

teste

Mallika disse...

Teste aprovado!
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huahuahuahauhau!

Mallika disse...

Mas o que foi isso aí em cima?
Um papo cabeça???
Cruzes,até perdi o rumo da bobagem que eu queria dizer..
Ah, mas pelo menos o resumo eu sei: seu texto me fez lembrar de como eu sou feliz solteira!
Valeu!
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Xêro!

Anônimo disse...

Em alguns pontos você é lúcida e coerente. Em outros, você se perde em preconceitos e generalizações.
Às vezes tomo um sorvete no Mac Donalds, isto não abala minha saúde ou a minha formação psiquica e do meu filho. Às vezes comemos uma nutritiva salada cheia de agrotóxicos com um frango grelhado cevado a hormônios.
E sua opção e militância pelo fim da procriação é que mais vai contra ecologia, porque, se tornando regra universal ( aqui me socorrendo de Kant, com quem não compartilho seu código de ética, mas neste ponto da maternidade é irrefutável ), acarretaria no fim da humanidade,a menos que você a odeie. Neste caso o suicídio seria ação mais coerente e politicamente correta.
Um abço

É Ella? disse...

Caro Anônimo, aprecio com veemência sua participação e agradeço os apontamentos que me agregam reflexões interessantes.
meu discurso não é linear e minha palavras são voluptuosas demais, concordo. Exagero!
no entanto, suicídio (e falo da possibilidade do meu suicídio) não seria um ato coerente, posto que amo a vida e de forma alguma odeio a humanidade ou lhe desejo o mal. É q ao compactuar com o Mac eu contribuo para a inadequada remuneração dos meus conterrâneos, embora seja verdade que "melhor pingar que secar" e no meu hambúrguer vem florestas devastadas para a criação do gado e para o plantio do sustento deste gado. Minha noção de humanidade faz eu questionar esta minha escolha, pois no estou sozinha no uso deste planeta e de seus recursos. Se eu estivesse ali, comendo este hamburger, eu compactuaria com o desejo com este suposto desejo lúgubre. o que faço aqui é maximizar a possibldde de uma questionamento. Afinal, assim como caminha a humandde, não dá mais! Concorda?

Miriam Andrade disse...

Gostei do seu posicionamento.
Abdiquei do suposto "trono" de mãe porque mais parecia prisioneira do calabouço. Duro é o preço a pagar por isso, mas ainda bem que a terapia ajuda.
Abç.

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