9.12.09

2.12.09

Sobre faróis apagados


Acordei brochada.
Nem o calor conseguiu me empurrar pra fora e só não fiz xixi na cama porque não sei.
Chamo seu nome e o vazio que ouço queima minha língua.
Mensagens no celular sinalizam tempo em tempo o insuportável.
Som da campainha. Batida na porta. Alguém me chama no corredor.
Arrasto meu corpo de 393kg. Era preciso evitar mais intrusos. Pergunto áspera quem é. Minha tia querendo favor. Não abro a porta. Não posso fazer favores.
No banheiro, ligo o chuveiro, sento no chão, nunca antes havia feito xixi assim.
Não sinto vontade de chorar. O telefone toca, toca, toca.
Na minha cabeça senta um mastodonte.
Meu corpo triplicar de peso e o cérebro gelatina num pesadelo lento e dulcíssimo.Volto pra cama sem me secar. Abro a janela. Tento. E tudo dói demais.
Preciso de café. Três goles quentes num dia quente. Suor. Assim talvez eu derreta mais rápido. Náusea. Mensagens de cadê você? Da operadora. Da tia dizendo que sou louca. Desligo o telefone. Ligo o computador e já é quase fim do dia. As palavras arranham minhas paredes internas. Querem sair para quê? O que querem dizer? Mas elas vão saindo como diarréia e me sinto melhor.
Esvazio-me de mim.

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