31.7.10

cartas no varal

...eu repito paciente e sem conflito: não me condene por esse apego. pode e parece sem nexo [você me estranha] mas a conheço e se não ficar assim com esse ar de espanto, se encantará de mim tanto quanto, pare de correr e ouça: é uma história de amor que te conto e se deu nas lembranças do outro [aquele que você não quis. tropecei nele sujo de saudades, pedinte na sarjeta] era um cão largado, esquecido feito chiclete mascado pelos cantos. lavei, limpei e alimentei de mim aquele resto seu quem me encantou de você. eu explico, ouça sem juízo. lembra dele? me encantei daqueles olhos secos, daquela boca abandonada em corpo exposto à sorte. catei pra mim não por piedade, mas pelo encanto que dedico a essas fragilidades. quis eu a sina do cão saciado ouvir, foi aí que me encantei das tuas marcas. confesso que num primeiro momento não a vi, mas o tempo te arreganhou pra mim [eu quis saber: quem o adestrou tão abjeto, assim?] então a vislumbrei pelas palavras dele e naquelas entregas lascivas, submissas. percebi você em tudo seus traços me agradam. sim! sim. esse querer foi construído sobre as lembranças dele. não! não é loucura. estou encantada de tudo nele que é seu. a vejo com esses lábios entreabertos, esses pés descalços nesse vestido puído. não me condene por essa invasão: permita-me cuidar do seu campo. uma mulher assim dos teus caprichos, nessa graça que me rasga encantada fico. a fragilidade dele não suportou essas voadas lascivas que teus olhares me enredam. nesses modos comportados que a vejo enrolada, seu lábios desmentem cada vez que tenta dizer o contrário desse desejo que te salta a se jogar aos meus pés: negar prazer é crime, meu bem.


para m.g.

21.7.10

Jardim secreto


Não! querida, essa maquiagem, roupas e assessórios não ficam bem: você mais parece um produto no seu arranjo de mercadoria. Não percebe o exagero?

Vendem para você tantos conceitos enlatados, tantos sonhos alheios, atitudes da moda em clichês tapados. E você consome sem refletir o que de fato te faz bem.

Compra tudo para vender a si mesma. Exageros meus, você grita. Mas vivemos tempos lamentáveis arranjados em discursos publicitários bonitinhos.

Eu não tenho nenhuma certeza, mas creia-me, envolver-se com esse mercadobarato é prejuízo
e você bem sabe do que falo, não?! Como não sabe?

Rio e você enlouquece, eu não tenho medo e você parece envergonhada da sua nudez
sou dona dos meus prazeres e os deleito ao apanhá-los com minhas mãos e bocas
e você parece presa nesse emaranhado supérfluo, renovado todo ano em discursos manjados.

São tantas mentiras que te contam, meu bem.
deita ao meu lado. Ouça essas histórias, preciso te contar...
venha, vamos, volte para o jardim secreto.

8.7.10

LA DOMME



chien-doux lèche mon pied
chien me fait cadeau me fait service se fait enculer me fait sa langue se fait
mais chien ne se fait que dans l’intention de
donc, piège lascif sur la scène deux tyrans il est
L’UN DEBOUT
l’autre à genoux








m.g.

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