17.9.10

quem manda no meu sono não é o patrão

De preguicinha,
durmo a manhã inteira

o sol estapeia lá fora
sonhos operários sob marteladas e fritas

[sob essas teclas consumo dias vendidos para acúmulo do meu vazio]

aqui, durmo SOBRE um dia útil nessa semanainsANA

não me importo com nada além dessa preguiça gostosa
em que meu corpo fica após no seu resvalar
no meio da noite CHAMA


15.9.10

A insustentável leveza do "se"


cabelos seus fizeram a luz sumir dos olhos meus e encheram minha memória de um pouco mais desse cheiro de mulher voluptuosa

apaixonadenhas entregamos  risos em folhas de cama instantes, assim nos iludimos na melhor de nossas tardes constantes a delícia dessas certezas vaporosas

sonolenta em folhas verdes deveria [quando anunciou sua partida] implorar para eu dormir entre suas coxas roliças. estaríamos salvas. se...


insustentável instante onde pula o "se" entre a solução e a tragédia que nos agarra.

e se! e se? e se... o mundo, você eu e outros infinitos e  imperceptíveis mecanismos desta sequência delicada e frágil das possibilidades entre ser e o não-ser

a meio passo do ato rumo ao instante inefável e uma palavra [essa que risca a garganta: fica] perde sentido e vira pedra

se
é
coisa
demais
entre nós

6.9.10

um homem só



de repente
[repentinamente]
num sopro sumiu toda gente
sobrou ele, num canto assombrado
procurou mais um e nenhum foi encontrado
desistiu de chamar, gritar, pelejar pra achar
estava  sem semelhante e aproveitou [por muito tempo] a liberdade que isso trás

Seguidores

visitas não brocham

Arquivo do blog

DEDOS NÃO BROCHAM

A. SAFRA

Minha foto
São Paulo, SP, Brazil
Tá dito no não dito. Contatos: e-mail: dedosnaobrocham @gmail.com twitter: @dedosnaobrocham facebook: Ale Safra

whos.amung.us