24.11.10

Délibáb*


essa vida sobre o amarelo seco,
em linhas dissimuladas agita
aflita
longe do mergulho em salgada água
afoga outra leitura das coisas:
dessas
santificado papel que consagra?
a morte da língua na pele
do arrepio da vida  careço

refresco em rio de ressaca
na diferença pequena, singular
quietinha
daquilo que arrepia
eu pele na dela
mergulho
morte minha em  água
dessas salgadas
a sua é seca
numa tarde amarela

nem certa eu
ou dissimuladas linhas você

coisas das papilas gustativas
mudas surdas cegas
dada a enganar menos que os livros
_ _ _
* Délibáb é um fenômeno ótico que ocorre nas planícies da Hungria e poderia ser traduzido a grosso modo como miragem. Tem origem na junção das sílabas “deli”, do Sul, mais “bab”, de baba, ilusão.
É também o nome do disco do cantor gaúcho Vitor Ramil, em parceria com o músico argentino Carlos Moscardini

21.11.10

meu amigo Will num botequinho



_ ...é tara abortada, Anna.
_ se não fosse seria?
_ um entre esses aí que nem te apetece o nome.
_ repito o nome pr'meus olhos iluminarem o caminho onde me engano.
_ bah, tchê! tu não és piegas. Larga de mão.

risos

17.11.10

Porque se chamava moço, Também se chamava estrada*




sou mancha na massa nessa
manhã massificada mansa
sem

[corda grave para]Em7/9+/13-
Nem lembra se olhou  pra trás

comediante nariz vermelho
secos olhos em
       pornográfica espera
       passo sem marcha
massificadohumanodetodasascores

[sapatos padronizados: passopreso]Dm9(14)  Em(b13/#9)  
Ao primeiro passo, aço,     aço...      

lá pelas tantas recorrentes no meio do dia
bruto
um gole de café queimado frio, desses cujo gosto sou eu
SEMF7M(9)  Em7(#5)  
Porque se chamava  homem  
tão sempausanada
tudopassa
tudoDm9(14)  
Também se chamava m sonhos  
passa
sem pausa

estatisticaMENTE na mASSA
numericamente chapadaEm7/9+/13-  F7M(9)  
E sonhos não envelhecem      
atropeladamente insana

esses salgadinhos industrializadosEm7/9+/13-  
Em meio a tantos gases lacrimogêneos  
esse suco de saquinho industrializadoDm9(14)  Em(b13/#9)  
Ficam calmos, calmos...      
que sabor repetido é esse?

notas dum cavaquim
sem silêncio, nem pausaDm7  Am7  G  F7M(9)  C/E  F7M(9)  C/E  F/G  
 E          l á          se vai mai s um  dia       
padronizada no quadrado da televisãoF7M(9)  Em7(#5)  
E basta contar compasso  

Dm9(14)  
E basta contar  consigo  
 Em7/9+/13-  F7M(9)  
Que a chama não te m pavio      
 Em7/9+/13-  
De tudo se faz  canção e o coração  
 Dm9(14)  Em7/9+/13-  
Na curva de um rio, rio ...      

aFOGO

_______
* Clube da Esquina II
Lô Borges e Milton Nascimento
letra de Márcio Borges


para m.g.





15.11.10

casual

sem romantismo de 1,99
nem ladainhas burguesas
num delírio plástico, flores e altar.
despidos de pai-mãe credo,
anuência de corpos sequiosos
perversão libertária no sexo
luta pela água salgada
sem perspectivas
sem sonhos  consumistas
voos livres eu&você
_ agora?
_  já.

7.11.10

Felina imagem e semelhança

aninhadinhas doravante
na quentura ronrona eu
esquivança da rua viva

             ficamos uma da outra
             teus olhinhos sabidos
             tua patinha na minha mão
             afeto nesse instante cancro

com teus pelos acinzentados dou conta
se Deus existi é belo e perfeito
deve ser imagem e semelhança dos gatos

revaloriza sua felina companhia
meus rugidos olhos mudos
eu teu bicho de estimação devota
adormeço

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