24.11.10

Délibáb*


essa vida sobre o amarelo seco,
em linhas dissimuladas agita
aflita
longe do mergulho em salgada água
afoga outra leitura das coisas:
dessas
santificado papel que consagra?
a morte da língua na pele
do arrepio da vida  careço

refresco em rio de ressaca
na diferença pequena, singular
quietinha
daquilo que arrepia
eu pele na dela
mergulho
morte minha em  água
dessas salgadas
a sua é seca
numa tarde amarela

nem certa eu
ou dissimuladas linhas você

coisas das papilas gustativas
mudas surdas cegas
dada a enganar menos que os livros
_ _ _
* Délibáb é um fenômeno ótico que ocorre nas planícies da Hungria e poderia ser traduzido a grosso modo como miragem. Tem origem na junção das sílabas “deli”, do Sul, mais “bab”, de baba, ilusão.
É também o nome do disco do cantor gaúcho Vitor Ramil, em parceria com o músico argentino Carlos Moscardini

2 comentários:

  1. Te achei na Ficções e acabei parando aqui. Preciso dizer que estou apaixonada pelo nome do teu blog! Combina muito com essa acidez que tem nas tuas palavras. Gostei demais, voltarei sempre! Bjs bjs.

    ResponderExcluir
  2. Gosto dessa navalha nas teclas. Adorei os versos, e também de saber que o Vitor Ramil já vasculhou esses caminhos antes.

    ResponderExcluir

Seguidores

visitas não brocham

Arquivo do blog

DEDOS NÃO BROCHAM

A. SAFRA

Minha foto
São Paulo, SP, Brazil
Tá dito no não dito. Contatos: e-mail: dedosnaobrocham @gmail.com twitter: @dedosnaobrocham facebook: Ale Safra

whos.amung.us