11.12.10

indigestas receitas de sucesso

a chave da sua felicidade
não abre a minha porta!

não amole,
não compro.

não irrite,
não creio.

apaPutaque
normativos medíocres sociais

não tenho chaves,
quero despir meu juízo

quero viver simplicidade
sem listas especialistas

sem publicidade
nem conceitos quadrados em cinco


já é gente demais

4 comentários:

  1. Dede, querido Vário, grata pelo comentário.
    Parabéns pelo seu livro A máquina de revelar destinos não cumpridos, ed dimensão. Cuidando bem do jabuti que ganhou?
    Você é brilhante.
    bjs

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  2. Também gostei do "Só, já é gente demais"


    Beijos

    Cris DeSouza

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  3. escarcéunário - o último sonho


    1.

    ando sobre meus ombros meus assombros
    meus escombros meus sonhos risonhos risos
    medito dissolvidos sóis e sou o que não sou
    o que sou e não sou o que sou e o que sou
    querem e não quero o que são os quero-queros

    2.

    só eu sei os medos os desejos os latejos
    os segredos dos meus segredos dos teus
    dos (n)ossos segredos todos que nunca ob-
    tivemos todos nós que ataram-me neste
    frágil cenário de um céu sem céu algum
    nenhum escarcéu nem unzinho só céuzinho

    3.

    quisera o tempo des(a)fiar esta dor indolor
    sem cor sem sangre e ainda resta a dor
    diária da fratura (ex) posta um rumor do
    que somos e somos os nossos sonhos somos
    os medos os medossonhos os insossos sonos
    insones o que somos o que sonhamos somos
    - somos o que somos o que somos -

    o quê ? o quê ? o quê ? o quê ? o quê ?

    4.

    eis-me confessor de mim mesmo das vértebras
    que bradam às pressas a escrever teu nome no
    silêncio do cio do céu do escarcéu onde tudo é
    raso e se derr ama em salivas nas unhas nas
    garras nos olhos de salferidos sorrisos da medusa
    não sei por qual momento me calo se meu calo
    dói ou se doeu ou se me dôo todo sobretudo
    sobre a poesia sobre a teoria sobre a alegria
    sobre a sangria sobre a alergia sobre a letargia
    que sinto sobre tudo e sobre todos sobre nós

    5.

    das palavras que (es)cravo que me atrevo
    a te dizer o que traço o que trago dentro
    de mim que me afogo em planos sem fundo
    e forma a tremeluzir nesta noite como vaga-
    lume eu te daria uma luz um sorriso mas nem
    tudo que quero será devorado o que sou pelas
    minhas veias pelas minhas teias e por todos
    (m)ais que posso dar eu não sei se posso dar

    6.

    pelas alegorias da palma da minha mão onde
    caminhos suspensos me levam a nada quem
    em sonhos ou desejos me levam a algum lugar
    que não absurdo ? - hay sangre em mi palabras -
    fiz brotar rotas em mares que me encantam
    em sonhos que minha ira descansa e agreste
    estou a deixar rastros em pensamentos me vou

    7.

    agora me atrevo com esta língua com vontade
    contínua a tecer versos de vidro insinua o passo
    a passo a passo e passo a língua em teu rosto
    áspero encardido de sol de vento de frio uma lâ
    mina lisa e fina o fio que pressinto envolver-me
    em sonhos e nuevos sueños que restam e só
    o que resta neste

    a
    b
    i
    s
    m
    o

    neste istmo
    este poema
    este pó
    este
    est
    es
    e
    em cada lacuna que me fere em cada boca
    que me insere de veneno de beijos de dentes
    de degredos me visto de espantalho espanto-as
    rugas do meu corpo e toda a emoção que sinto
    que sonho que sou que soubera ser sonhando

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