19.12.11

dente de leão

19/12/11 às 09:30
sms d.g: toma café comigo? tem pão com passas e leite batido com iogurte

19/12/11 às 09:35
sms anna: hoje não, querido. vou me dar bolo de milho com café.


18/12/11 22:30

ontem sai deixando beijos num pedaço de papel. aproveitei seu banho, vesti minhas roupas e voltei pra rua. comprei sorvete de limão. caminhei até o metrô e choquei ao ver o movimento intenso da linha verde/azul. cheguei em casa. silêncio. fiz um lanche, avancei umas páginas do livro A Religiosa, de Diderot e fui tomar banho remoendo aquele materialismo. deitei na cama e abracei minha coberta vermelha. senti uma brisa da janela aberta renovar o ar e adormeci. sozinha.

13.12.11

retrato sedente


se a vontade é d'água
qualquer coisa outra
não mitigara minha sede
por mais que me agrade líquidos di-
versos

raspas miúdas
em casca de canela
você na fumaça
me disperso
perco o nexo

é uma peleja em passos noturnos
feito deslize de gato manhoso
sem peso nem pressa languido
criativo no ócio do desejo solo

discordo das convenções sufocantes
nunca quis maridos e filhos
e todo o peso secular dessas irritações
prefiro a vida dos gatos
vadios a perambular elegantemente
pelas camas nos tetos

é preciso coragem para ser gato?
e para ser e compreender
a liberdade em nós?
essa peleja não é fardo

mergulhar em águas apátridas
e refrescar essa sede

emancipada


9.12.11

pré-venda DEDOS NÃO BROCHAM, Ed Draco



boas notícias!!! a editora draco está fazendo a pré-venda do livro DEDOS NÃO BROCHAM com 20% de desconto e frete grátis.

O lançamento na livraria Martins Fontes, [av. paulista, 509 - será no dia 27 de janeiro de 2012 a partir das 19h].

oh! a edição é limitada, mas limitada mesmo. então é isso, amadas e amados, adoro compartilhar coisas boas com amigos e convido todos a dividir essa alegria comigo lá no lançamento.

becitos.

seu livro aqui

23.11.11

capa do livro DEDOS NÃO BROCHAM

LANÇAMENTO confirmado para dia
27 de Janeiro de 2012, às 19h
na livraria Martins Fontes da Av. Paulista, 509 [em frente ao metrô Brigadeiro]
meu primeiro livro (que assumo publicamente)

 DEDOS NÃO BROCHAM

sua presença é o objetivo de todo esse trabalho, justifica todas aquelas tardes e noites que deitei os dedos no teclado pensando em você, DE MANHÃ eu nunca escrevo! para alguns - aqui nossa história poetizada (inventada) - sem nomes, sem medo. somente papel e tinta
e então, você Vem?


facebook: Ale Safra
Twitter: @dedosnaobrocham



16.11.11

para não fugir de mim

Foto Ale Safra _ linha azul do metrô


trilho no engano caminho lânguido
no dia do mundo habito
hábito
: luto

...

Disponível também nas livrarias:

Livraria Martins Fontes

e

Livraria Cultura

13.11.11

upps e o bom cidadão religioso

a favela da rocinha ganhou uma upp. é mais segurança para aquelas pessoas vítimas de tantos bandidos, tanto criminoso já foi preso. até o chefão do morro. veja que a polícia tá trabalhando muito bem. você viu na televisão, amor?

disse o cara de calça jeans, bíblia debaixo do braço, celular na mão, camiseta polo preta e sapatos marrons com franjinhas, para uma apática mocinha distraída com sua leitura bíblica.

eu arrepiada pensava, poxa meo, acabei de ver o filme a pele que habito e tá tão gostoso o filme ainda em mim...

sem piedade, o mocinho continuou sua saga quadrada: o rio de janeiro vai ficar limpinho. aí sim, será uma cidade maravilhosa.

corri procurar na bolsa meus fones de ouvido para salvar aquele resto do filme que perdia... não pense sobre o que ouviu! lembra daquela cena do filme que foi incrível, disse eu para mim mesma. metrô cheio, eu no meu canto aninhada do frio. mas que azar, esqueci os fones. agora toma todo esse lixo no juízo.

olhei em que estação estávamos, tiradentes. tantas ainda para a minha. é hoje. vou ficar de pé lá do outro lado, pensei. quando estava saindo, então o pior aconteceu. sem meus fones, sem a mocinha do lado responder nada, ele olhou para mim e continuou, puxando conversa - atrevido - sobre as upps e terminou com a seguinte bestialidade: deveriam montar uma upp em todas as universidades, para que esse bando de adolescentes estudasse de verdade e não ficasse na farra e vícios em nome de jesus. amém.

eu olhei para ele, olhei para a moça ao lado que abriu a boca para responder o amém como se fosse “saúde” após ouvir um espirro. e vi seu coque desgrenhado, saia longa, camiseta e tênis e total atenção à leitura da bíblia sagrada e cheguei ao ápice do entendimento do clichê popular: doido não deve ser contrariado.

pronto, perdi o filme. e só resta ligar para o will e contar isso para ele.

entende will, a pessoa sai da igreja, fica com a bíblia debaixo do braço e acessando a net pelo celular e querendo defender a ideologia em que foi adestrada pela mídia e igreja de que polícia é sinônimo de segurança. pior que perdi minha sensação com o filme. ladrão. esse cara é um ladrão!

querida, disse ao seguidor bolsonaro que polícia não é sinônimo de segurança? e polícia só existe dentro deste sistema para coibir, repreender e capturar todos (nem todos) contrários a este mesmo sistema dominante estabelecido. e na real as polícias fazem um serviço de contenção e [usando a palavra desse ser], “limpeza” daquilo julgado como sendo “lixo social”? e pior, criado por esse mesmo sistema dominante?

will, o cara é fanático! esse tipo de gente não escuta, apenas quer impor suas crendices de toda ordem. como eu poderia dizer que a polícia existe pelo nosso fracasso social? pela nossa impossibilidade de diálogo e acordo nas divergências; por conta de toda degeneração desse sistema capitalista? pela copa e olimpíadas que vem aí e não pelo próprio povo da comunidade carente?

docinho, somos um fracasso tentando ainda dar certo.

will, depois da inquisição, das senzalas, de mauthausen, agora as empresas capitalistas promovem um dos maiores horrores da história da humanidade. Estamos tentando dar certo? Humm, não uso os óculos de pollyanna, prefiro a lupas das hienas e, pelas lupas, não estamos tentando nada não. upp não reflete uma vitória da sociedade sobre o crime organizado, é a vitória do capital cuidando da cidade para receber dois eventos mundiais e garantir o fluxo do dinheiro.

é, doce, o assunto é mais assombroso que parece. acreditar que polícia é para nos dar segurança e não se ter o esclarecimento de que ela existe para conter os crimes que todos nós cometemos é lamentável. e essa massa acéfala num crescente viral é de desejar que um planeta chamado melancolia esteja em rota com a terra.

não, will, os gatos também morreriam e eles precisam do planeta para viver.

3.11.11

sms em madrugada fria

...


achismos implicam em erros grosseiros, por vezes cruéis. criam falsas noções e comprometem a verdade muitas vezes. são enganos curiosos. não?

humm, mas achar uma coisa de alguém vez e outra está correto.

sim, mas quase sempre é crendice martelando prego em areia. pensa: aquela pessoa acha uma coisa e acha o que outros acham e nunca me acha nesse novelo de achismos.

mas guria, tu também não acha isso que acha sobre aquele achismo?

acho -rs-  mas sem muita sentença, logo não acho muita coisa. ao menos tento. a única certeza e verdade que tenho é essa ternura e desejo que não se transformam por esforços que eu faça.

então tu acha uma coisa e ele acha outra, correto?

parece que sim, will.

e por qual motivo não acham a coisa em comum? qual o problema com duas xícaras de café? por zeus, isso me cansa.

aí nem é o caso de um novelo de achismos, mas milhares deles. não ouso achar nada. me preservo disso.

já te aconselhei a esquecer esse assunto, mas diante da impossibilidade só lamento o desencontro. sabe que me preocupo e pouco aprovo essa história, mas é como já disse pra ti tantas outras vezes: espera que o tempo cura vinhos, queijos e desejos.

definitivamente, will, não posso me curar disso. o tempo ao curar queijos, vinhos e desejos os deixam  ainda melhores.

aposta. arrisca guria. responda os e-mails e ama-
dureça.

31.10.11

santa fé

foto de André Kertész

no chiqueiro o porco quando puxado pelos pés
grita e grita grita grita grita e
gira minha cabeça na dor de saber
a marreta estala a testa e a faca no coração
mudez

no chiqueiro a porca alimenta os porquinhos
e a outra porca observa se ela sabe fazer isso
o porco discute com outros porcos como
no chiqueiro aprender a resistir
mas não há sublevações nem encantamentos
e eles continuam parindo porquinhos para alimentar
o dono da porcariada

os porcos quando puxados pelos pés
gritam e gritam gritam gritam
tapo meus ouvidos e assisto lars von trier
com os pés sobre para nada me arrastar

esse grito preso nos pés
é dessa vontade que não anda

tudo gira e grita e birra
e porcos se debatem
sempre que puxados pela trama
lá do chiqueiro da minha
infância

16.10.11


Vitor Ramil, Ramilonga

saudade é sal que seca minhas palavras e olhos/deixa em carne viva as plantas dos pés/caminhar pesa e não chego onde desejo encontrar abundância de oxigênio/preciso que me perdoe, Adelle/não pude nos proteger/éramos crianças/preciso olhar nos olhos daquela mata e sacudir o sal/esse peso não é meu/solidariedade começa com o sol ao iluminar meu entendimento/acredito que ao escrever sobre nós/desatará esse pó

da garganta/essa peleja diária/esse espinhoso chão forrado pelo descascar da paineira/o sol já aquece meu dedo do pé/mas minhas atitudes entregam os segredos lá do fundo da carne conservada no sal/eu não entendo Adelle/você me engana ao dizer mancinha que tudo está bem/você se aproveita do escuro para me presentear sádicas surpresas/queria ser freira mas não tenho fé/viveria num desses claustros com voto perpétuo de silêncio/assim nunca mais diria seus nomes.

contei ao will sobre você, ele chorou/eu disse que muitas mulheres e homens nunca poderiam ter filhos/falei do egoísmo atroz que é amarrar um novo ser nessa miséria humana/essa farsa de milênios/falei das consequências dos atos que comprometem as próximas geração/ falei dos avôs/will me abraçou/disse que preciso começar a deixar o peso já nas palavras/fez muito sentido pra mim/quem sabe vou desengasgar ao tirar da palavra o espinho/eu não poderia nunca ser freira/deus morreu quando chamei por ele naqueles dias e ele não veio/descubro rápido as mentiras que me contam/lembra Adelle, aqueles dias? tomei caixas de remédios e ganhei uma garganta ferida até hoje/mas relendo as cartas que te escrevi/contanto sobre tudo/percebo que amainei o verbo/mastiguei os conceitos e cuspi no pé para cicatrizar as chagas provocadas pelos espinhos das paineiras quanto tentei abraçá-las/um dia um pouco de ar chegou até meus pulmões/e percebi que nem tudo é ruim/o abraço da vó me salvou/sem a vó hoje estaríamos juntas/eu não quero estar com você, Adelle/não agora que outro abraço me fez respirar ainda melhor/will também gosta dele/eu também gosto dele/mas gosto mais de respirar, puxar bem fundo o ar e deixar ele sair/oxigênio, vento, vendaval, chuva me faz respirar melhor/é bom respirar bem fundo soltando o ar/devagar/da uma noção do que é ser leve/mas você Adelle/é um resto encardido que volta sempre que ela me força a dizer: mãe



excertos modificado de romance em desenvolvimento




12.10.11

a vida não vale um conto

a vida não vale um conto, nem eu
nem

tarde ar-dida lá vem a lua minguando nós
ando entre janelas virtuais evitando o que
dedos viciados levam teu nome aqui
coisa gasguita é pedra e tropeço
ai
ai se meus pés tomarem o caminho
da vontade dessa pele

a vida não vale uma beira de ira
irá decalcar o sol na sua cama?
nós em zilhões de átomos
e conceitos
nada concertam
nada consertam
nada

desassisada não valho nota
mas ai quando leio suas excursões
num aparente desvio de corpos em relação
ao sol
sei da dureza da cama fria
sua minha nuca um filete de pó
daqueles que enterram os delírios
para curar a vida do desejo

tento amar como um animal
faço sexo com as palavras



9.10.11

meus olhos femmélicos

Foto de Hlio Faria, via album facebook: Elida e Débora
:hoje me apaixonei
(semanas passadas também)
três vezes
me apaixono assim
feito fa-
ísca que explode na cabeça
de um fósforo passivo
on-
tem


...


DISPONÍVEL NAS LIVRARIAS:


Livraria Martins Fontes


LIVRARIA CULTURA

1.10.11

como abraçar espinhos?

 

Foto de Ale Safra - Curitiba 30/09
 
paine-
ira cresce aguda e definha
no tempo
faz cair espinhos
não vou esquecer. mas preciso não
espetar os olhos
Adelle, minha espinhosa memória
não conto penas, sigo e
me livro dessa vontade encardida
em desejar roubar de mim
a vida. cansei da mentira que me conto
fingir sua inexistência me queda.
não vale se não for inteira
a vida.

meus olhos denunciam você em mim
minhas mentiras contam você em mim
minhas palavras te darão outros significados
quando os espinhos pararem de me espetar 
saberei o que não sei que sou.

livre

29.9.11

encanta

discurso
calça jeans e camiseta
vermelha
é a língua que chama
de-
canta
e molha a lua
salvei na retina
aquela foto
para te reconhecer
no metrô
se você vier
e tirar a dúvida
sentada ao meu lado

essa viagem teria sabor
se sua boca estivesse nas minhas

24.9.11

carta para minha casa

Foto de Ale Safra - Curitiba 23/09/11.


fui até você no instante em que senti o cheiro da grama cortada. aí de casa, hoje salivei saudades. quase duas semanas você fechada. há abstinência aguda em nós pela falta uma da outra! pela a falta em remexer os autores na estante. da água do chuveiro, aquele pingo torto, sabe? relembro melancólica pequenas coisas que jurei consertar. até dos passos em saltos altos da vizinha do apartamento de cima eu relembro e suponho outras roupas e destinos, só para diminuir a distância e passar esse tempo.
por ser siamesma a gata de rua, não temos aí em casa, gatos. nem plantas para conversar e me sentir mais família. nem percebi que a vizinha de porta (aquela cuja paga pelo filtro de café emprestado, nunca foi quitada), se mudou. fui vencida na briga contra o lençol preso sob a cama e relembro deitada nesse mesmo lençol preso e esterilizado, as páginas abertas dos livros (interrompidos) sobre a mesa de trabalho aí da sala. tudo em hotel é muito farto e arrumadinho. anseio ouvir o barulho das chaves abrindo você pra mim. as vezes acho que ouço o telefone de casa tocar: um parente que devo me esquivar? (te pergunto). will chamando para um cinema na augusta? mariana querendo caminhar, tomar sopa na padaria ou um chá e conversinhas? qual dos meus amigos (escrevinhadores) querendo um encontro num café da paulista? uma palestra de literatura? outra de filosofia? e eu, tão aqui!  sem ninguém pra dizer “você se lembra quando a gente...” e me sentir mais perto de você.
longe assim da coberta vermelha, fico deprimidinha. a distância realça importâncias. entrar em você é recomenhecer meu universo nesse avesso do tédio. meu útero de paredes nesse deserto histérico de monólogos débeis. pisar em você é como caminhar na minha infância, aquela dos dias ensolarados e leves.

21.9.11

Pôr à vista

atinar palavra

para mergulhar

ou paredes rebocar




medo.                                                                breve o instante finda para ser silêncio

me-                                                                    eterno.

dou                                                                    tudo.

me-                                                                    nessa comparação com Tempo,

deixa                                                                 no instante não cabe ré.

sem                                                                   palavra é tijolo

sede                                                                  esquerda ruge a vida. do tempo é minha inveja






resposta para isso [...]

revira , floresce, rouba

sou minha pra me dar

se me toma, te tomo

liberdade também é

ficar

saliva
meninas

viramos duas numa noite fria

ais


tenho poucas vergonhas para me orientar. certeza apenas que liberdade é entrar em casa, fechar a porta e encontrar o mesmo: silêncio.


há tantos meios para negar essa vontade. tentei e perdi. me apego ao tempo na esperança infantil e covarde de que tudo passe, mas quem passa é o tempo e roubo de mim: memórias.

o ar está seco, minha pele precisa suar. a sede aumenta e a cada palavra trinca tijolo e cai expondo o que eu deveria proteger. tento rebocar negar correr sublimar transformar mas não consigo. apesar das contradições, essa vontade insiste.


expectativas vendidas em prateleiras românticas são péssimas para o fogo

do dia

olho para os lados,
medo de atravessar
me atravessa o medo

eu falo sozinha.


ENSAIOS: Poses Paulistanas, de GAL OPPIDO
 

17.9.11

fabulação

ectoplasma palavra
vontade finda nos dedos
aponta esfarrapada
dúvida

verbo turvo rodo-
pia e plasma brasa
vontade
sua

minha pele tá
para suas leituras
em braille
plasme meus ais


me escuta




14.9.11

paredes em tecidos presídios?

foto de Carol Bottacin mais aqui


parede em tecido
 presídio? 
                
daqui olho e creio
        um crime

contra a mulher: lá

aqui os crimes são semelhantes
          dissumulados nas formas
                                           mas
                              ainda crueis

na boquinha da garrafa,
salário & trabalho,
privado e público,
nas mães que implantam
rosas / azuis

será que a presidenta
recebe menos que os presidentes?

panos pesados
meu olhar sobre lá
reconhece o grito

a-
qui
panos leves
 ou nada. que é essa mulher?
como aquela emburcada
enxerga quem pouco pano usa?



2.9.11

um trago de bukowski e nada mais

desonhecido
se fosse eu todas as mulheres
não seria eu?
quanto deixarei de ser eu para ser sua?
...

DISPONÍVEL EM LIVRO TAMBÉM NAS LIVRARIAS:

LIVRARIA MARTINS FONTES

LIVRARIA CULTURA



inspiração livre em fabulário geral do delírio cotidiano, de bukowski - ed l&pm.

18.8.11

mas turba ação

foto de Gal Oppido. Ensaio: Vestes

Anna,

Outro dia, enquanto passava as roupas da família e olhava para a montanha que vejo de minha janela, comecei a pensar na masturbação. Concluí que ela é uma das mais sutis formas de ficção, de invenção de enredos. Mais que isso, lembrei-me da distinção/comparação que Valéry faz da poesia (dança) e da prosa (marcha) e

Livro DEDOS NÃO BROCHAM, ED DRACO AQUI! NA LIVRARIA CULTURA.

13.8.11

A elegância do ouriço

 
foto de GAL APPIDO - ENSAIOS: As Duas






amar de maré cheia

afundar em ostras salientes

algas envoltas em salivas

águas vivas

silvestres


te quero entre nós.



10.8.11

se você vier/ pro que der e vier/ comigo/ eu lhe prometo o sol...*

Foto de Alberto Korda para a revista Verde Oliva



flores
 não
 são
 inocentes:
 insetos são tolos.
opressores insanos
são frágeis.
oprimidos 
desp
idos
do ví
cio
viti
mi
za
do 
li
vr
es
fi
ca
m
pa
ra
sub
le
va
ç
ã
o
.




5.8.11

xaienny, minha deusa te falo


na esquina de casa tem uns travestis e xaienny é a estrela na periferia dos meus delírios. mas nunca quis ficar comigo. eu a presenteio com batons, rendas, perfumes, bijuterias. outro dia lhe paguei um café. em outro a levei ao médico para saber dos resultados de uns exames. xaienny aflita fez promessas pra santinha. tentei avisar da inutilidade dessas crenças, mas ela disse que era feliz se enganando com isso. pediu batendo cílios longos, aí todos os meus argumentos ateus foram para baixo dos seus saltos plataforma. ela me chama de macho canalha. rimos. sou louca por ela.

3.8.11

mal chamado amor

Foto de Ale Safra

will, seu colo é feito balancinho de parque. faz o amor malogrado ridículo.
sei, mas anna, preciso dizer algo deveras.
você também está sofrendo de amor, will?
não, não é isso. bom, só quero dizer que acho preocupante toda semana tu falar de um amor diferente.
como assim? não é o mesmo?
meu bem, consumismo é horrível, humano então é criminoso. e saia do meu colo. chega de charla.
will, quando dos meus quinze anos escrevi o seguinte texto. eu já desconfiava desse mal chamado amor, escuta:

de olhar neste céu amplo multicor
vem-me passada lembranças
ao brindar com fervor
as loucuras que passou.
adolescente,
rio ao ver-me adolescente
inesperiente fugindo do amor
diziam-me que este era inocente
mas nunca acreditei
ao ver amigas em prantos sofrentes
deste mal chamado amor

essa poeminha forjado não tem fim
felizmente, anna, é péssimo como todo poema de adolescente contemporâneo.
mas o fato, will, é que amor pode não ser natural. quero dizer, como o ciúmes, talvez pode ser adquirido pelo mal hábito das relações...
para! chega disso agora! anna, são duas da manhã, e não mereço isso.
nem eu, will. posso dormir na sua cama?
venha.

31.7.11












                albatroz-errante

voa rasante em mar gris

       vento risca seus olhos

         nos meus, cisco atroz

         a negação do homem

                                      só.







27.7.11

fragmento

foto de Ale Safra
...
ontem, durante o café da manhã, conversei com você. mas confesso que sempre converso: no metrô. no ônibus. durante minhas idas e vindas pelas ruas. nas compras do supermercado. mesmo quando converso com outras pessoas converso com você. no cinema, na livraria, no banho, no trabalho. em viagens e antes de dormir conto minhas poucas verdades e quero saber o que você pensa sobre elas. durmo sem sonhos. acordo e não tenho força para encarar que há tempos não ouço meu nome na sua boca. assim esqueço isso e tomamos café somente.


2009.
texto encontrato entre folhas de caderno.

26.7.11

brisa


feito vento frio quando bate,
nota de música arrepia o
gosto salgado em cor de mel-
ancia: essa querença

quero seu colo ateu e mãos sádicas
saliva ácida e adorável companhia

melhor de nós, meu bem
é nessa conformidade sem pesos,
nesse amor sem cristianismo
não pedirmos pra ficar

amo nossa história, B.



23.7.11

parede tangencial

Adriana Varejão, Linda do Rosário, 2004, foto Eduardo Eckenfels
Texto disponível no livro DEDOS NÃO BROCHAM, ed. Draco.

TAMBÉM NAS LIVRARIAS:

LIVRARIA MARTINS FONTES

LIVRARIA CULTURA

15.7.11

das cartas vermelhas


Adriana Varejão, Linda do Rosário, 2004, foto Eduardo Eckenfels
: paredes são fraudes.
abraços de pedras. utopias de pó e armação.
ilhas ...



DEDOS NÃO BROCHAM, EDITORA DRACO
ALESSANDRA SAFRA

DISPONÍVEL TAMBÉM NAS LIVRARIAS:


10.7.11

vento não é carteiro

Adriana Varejão, Linda do Rosário, 2004, exposta no Inhotim, foto de Eduardo Eckenfels
esfarelo verbo para  rebocar paredes. foi assim que aprendi ser muda. ser isso que


DEDOS NÃO BROCHAM, EDITORA DRACO
ALESSANDRA SAFRA

DISPONÍVEL TAMBÉM NAS LIVRARIAS:


2.7.11

gauche

foto de GAL APPIDO - ENSAIOS: Vestes

tentei reciclar teu cuspe
os dedos na pele minha
deslembrar ouvidos dos
seus meus
ais

não pude

quero você:
por quê?

1.7.11

na vala da frase





caí,
na vala da frase
carne verbo
exposta chaga
onde você urina

arde
ruas perambulam mentiras
procuro minhas desculpas
"ninguém foge do erro que é"
em folhas amassadas,
na cidade poluída do metrô lotado
e caio triste
nessas linhas 
nada é pra mim

palavra
sua
e
Gal Oppido _ Ensaios_ Vestes


18.6.11

recesso

will diz: bah! tchê. tu tá melancia quente
anna diz: deve ser o abraço de balzac
will diz: mas precisa deixar a guria?
anna diz: silêncio. preciso disso
will diz: rs. soa ridículo.
anna diz: vez e outra gosto só de mim
will diz: vamos fazer uma aposta?
anna diz: nenhuma. petulante

16.6.11

regaço

sou 
pra você
pega?
canto nesse canto:
teu nome não é espera.
meus pés não andam
nas minhas salivas.
amora...
amor
ora,
não tarde.
arde essa pele
sua

13.6.11

mentiras





baila em braile entre coxas minhas?
...


DEDOS NÃO BROCHAM, EDITORA DRACO
ALESSANDRA SAFRA

DISPONÍVEL TAMBÉM NAS LIVRARIAS:



sesc belenzinho, Kaki King.
12/06/11, 18h.
para nanda.

10.6.11

A insustentável leveza do "se" II

egon schiele


dormir agarrada a sua cintura sentido nosso cheiro e ouvir os sons da sua barriga é prece, nanda

não se cale, amor. mesmo assim: entrelinhas. essa ilusão doce alegra o nada

6.6.11

DIVERSOS AFINS



Pintura de Gabriel Ferreira


QUINQUAGÉSIMA SÉTIMA LEVA, tô nela. confira! DISSIDENTE [Ale Safra] no


DIVERSOS AFINS

CICERONEANDO 

por Diversos Afins


Perto de atingirmos nosso primeiro quinquênio de realizações, orgulhamo-nos de poder celebrar com um desejo incessante as mais variadas expressões culturais em torno da revista. De todo o já vivido, importa saber que nada nasce encerrado por uma ideia de completude, mas sim de uma vontade considerável de aprender com os ensinamentos dispostos pelo caminho. De fato, caro leitor, as lições são tiradas de cada verbo exprimido pelos autores, de cada signo representativo das imagens até hoje expostas por artistas plásticos e fotógrafos. Não há como descobrir o mundo se não passarmos pela leitura contida nos homens e nas coisas. É justamente esta possibilidade de revelação que é capaz de dar sentido mais consistente à nossa existência. Tal leitura deve ser democrática, autônoma, leve, tudo sem deixar de lado as devidas referências que norteiam o pensamento artístico. Estas últimas, mais do que um mero conjunto de regras formais ou acadêmicas, andam bem se não subestimarem as percepções agregadas no olhar de cada um de nós. E como nos diz o escritor Geraldo Lima, nosso entrevistado da vez, é preciso deixar pulsar as verdades que habitam os meandros de um texto, sendo que estas decorrem de um mergulho bem fundo na obra que está diante de nossos olhos. Sendo assim, não é possível passarmos ilesos face aos arrebatamentos poéticos de Vera Lúcia de Oliveira, Ale Safra, Alberto Boco, Carolina Caetano, Alba Liberato, Alexandre Bonafim e Carlos Sánchez. E o que dizer das representações de mundo contidas nas telas de Gabriel Ferreira? Talvez uma forma de reinventarmos a nós mesmos de modo sublime. Noutro ponto, a crônica de W. J. Solha vai mexer no delicado terreno da angústia no processo de criação artística, revelando o pathos presente nos interstícios de tão exasperada jornada. Nos contos de Regina M. A. Machado eIsaias de Faria, a presença intempestiva do diálogo que se sobrepõe aos ruídos das relações. A cinefilia de Larissa Mendes elenca razões para considerarmos Biutiful como uma película que sequer deve passar em branco. Disponibilizar uma nova Leva é como ansiar pela redescoberta do mundo. Sejam todos bem-vindos a um novo percurso!

*Comentários podem ser feitos ao final da Leva, no link EXPRESSARAM AFINIDADES.

3.6.11

dar é feminino de dor

egon schiele
dou tudo que quiser
é da minha natureza dar
alimentar. abrir também

...



DEDOS NÃO BROCHAM, EDITORA DRACO
ALESSANDRA SAFRA

DISPONÍVEL TAMBÉM NAS LIVRARIAS:






ouça a música

1.6.11

das madrugadas frias


assustada no escuro. sozinha. 
suei em madrugada fria.
o medo gritou alto. a luz minguou.
procurei o ar e não veio.
quis socorro e não sei o seu telefone.
flechei para o corredor do prédio.
um hematoma agora contemplo.
a claridade zomba de mim.
o pavor respira longe .
hoje, aquele criado mudo joguei fora.
nunca mais vai me machucar.

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DEDOS NÃO BROCHAM

A. SAFRA

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