15.3.11

das possibilidades do salto

foto Playboy Fernanda Young














hoje é dia das botas pretas. da venda e renda negra.da palmatória. há dias implora sob verbos sórdidos. em clichês ambíguos. e apelações hilariantes. você na minha mão soluça extasiado. seus olhos suplicantes me excitam. sua pele vergões cultivo. verbo seu corpo na unha, submeto vontade sua as malícias minhas. você: meu presente nessa releitura de Sacher-Masoch. pensava eu que nunca mais fosse usar um brinquedo para tanto. agradável é a possibilidade do absurdo. inusitado mundo obsceno. mas hoje é dia de botas pretas: saltos altos afinados com sua vocação. você não me nega o grito e nos libertarei.





para e.s.

14.3.11

cinco linhas de cólera

Egon Schiele



ELA MORTA ORNA COM MISÓGINOS.
MURCHA É OBJETO NA SOMBRA.
DE LONGE CADA HOMEM
DE TODO CREDO, CANTO E SEXO,
A FLOR DESNATURADA AFOGA.

8.3.11

Eu, Will e "o dia internacional das mulheres"


 Will, a vó dizia que se a mulher tivesse noção da importância das putas, beijaria seus pés em sinal de gratidão, daria presente, alimento, remédio e cuidados quando caíssem doentes. Que uma semana de festas seria pouco para homenageá-las em agradecimentos.

_ Não tive o alcance, guria. Quer dizer que as putas são santas? Que devemos dar a elas a mesma caridade pregada pela religião aos pobres?

_ Na época tampouco compreendi. Penso que se existe caridade, é a puta caridosa, não o contrário. O que a vó dizia é que sem as prostitutas o mundo seria caos absoluto. Elas, entre as pernas, minimizam dores, violências sexuais, perturbações sociais. Coisas desse tipo, Will.

_ Então as putas são necessárias para a dona de casa dormir em paz? E essas dores que elas aplacam, são as perversões não confessáveis devido a essa educação religiosamente hipócrita ministrada desde o leite materno? Quer dizer que a possível e verdadeira história da sexualidade humana é contada pelas putas?
  
_ Essas coisas que a vó tentou me explicar. A mulher tem o dever de cuidar da mulher "da vida". Todas as mulheres são prostitutas, ela dizia também, a diferença será apenas o produto vendido. Somos todas desnaturadas da nossa condição feminina. Ainda vendemos nosso tempo servindo marido, filhos, sociedade, padrões. Cada uma vende o que o estômago aguenta.

- Sua vó era de um tempo que ainda não é, Anna.

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