24.4.11

dasPalavras


nessas falações
o verbo
sua

escritores
entrelinhas
chama

livro abre copiando
mulher sensual
somente
para bons leitores






22.4.11

Sol em manga

O sol é
Em dia meio
Santa Fé estagnada
Retrato manga aberta
Mosca morre desinformada

Em calor proceloso luz encarece cor e escancara amargura.

Ela morreu. Eu também. Mas ainda percebo o que o sol alumia. Adelle, você em mim no ar que me escapa e retorna cada vez menos.

Sob novembro mangas forram o chão e enlouquecem moscas em melado podre. Fico enjoada, cheiro faz lembrar Adelle, meu ar podredoce.

Santa Fé é uma pisada de rinoceronte no meu juízo. Corro atrás do rabo de um tempo onde duas pestes idênticas escarafunchavam ninhos de lagartixas no pomar, alimentavam aranhas oferecendo moscas apanhadas em manga saliente.

Insustentável leveza do tempo enquanto nos mastiga e dissimula o trágico. Será que nossas rugas seriam as mesmas? Pergunto para o filhote de gato sem rabo.

Da janela percebo os olhos lamurientos da mãe, sei que pensa em você. Conto ao gato que me ouve generoso e sentamos atrás da mangueira.

...

Lá esperamos estrelas cadentes.





[excerto de livro em desenvolvimento].

17.4.11

Eu e meu amigo Will na Virada Cultural


Duas coisas: O centro de São Paulo fede e não sou tão democrático como pensava.
Will, você adorou a conversa dos mendigos sobre a divisão da pinga.
Não amada, fiquei estarrecido com a lógica do vício.
Mas você apreciou tanto a Orquestra de Câmara da USP, Orquestra Experimental de repertórios e Sepultura, Renato Teixeira, Blitz, OSESP e Lago dos Cisnes.
Seria bem melhor não tivesse um gritando "trei-real ó a gelada" no meio da música.
Ainda bem que o convite foi seu.
Só quis arrancá-la desse seu mal de amor, guria. A responsabilidade do passeio ainda é sua.
Não curou esse mal estar. Mas o cansaço será bom pra dormir logo. Agora desliga o telefone. Não suporto mais ouvir suas reclamações de menino limpinho.

 tum. tum. tum. tum. tum.

11.4.11

xeque-mate

um gesto denunciou seu juízo. beijo nem chegou na boca eu já sabia do fim mesmo antes do fim. e drama nisso não há. me encanta saber guardar o jogo.

lembra daquela manhã? logo que minha mão esquerda pousou na sua? seu indicador e polegar [silenciosos] a repeliram como se espanta migalhas de pão numa manhã ordinária.

o corpo não mente. é mais verdadeiro as ardilosas e necessárias mentiras suas. confundir nossas carências nunca foi alternativa sadia. só estaria aí se a verdade fosse do seu juízo&corpo em não aceitar ficar sem o meu.
assim, aqui, as razões seriam consequentes. mas quente meu corpo não ficou com o gesto dos seus dedos. nem com seus soberbos argumentos pouco lascivos. pra m'enganar é necessário aprender a mentir com o corpo.

maravilhoso o tempo e as descobertas que fizemos juntos. bom acabar no melhor de nós.

10.4.11

horas arcadas em dias treze




treze de janeiro às doze horas nasce Alsina sob a mangueira
anos mais tarde, agosto do dia treze às onze com o açougueiro se laça
maio treze, dez de trabalho de parto, às três pariu Severo Filho
marcada, caiu na vala.



Oficina literária com Marcelino Freire
mote: três dias de merda

6.4.11

assustadora mente me nina

                                   desparafusada
                                           malfalada 
                                           mulher exagerada
                                          ...

Disponível no livro DEDOS NÃO BROCHAM, ED DRACO
Também nas livrarias aí do link.


LIVRARIA MARTINS FONTES

LIVRARIA CULTURA

3.4.11

digressão


Foto de Fernanda Grigolin
um rompante lasca sanidade minha
tarde na pele arde vontade sua no Crato

em poças d'agua a noite se mostra fresca
por todas as ruas, filosofia anda com literatura
você ilusão minha paramos na esquina

dias perambulando escuitano nos cantos de Santa Fé o
canto dessa língua despinhada

corro a bicicreta pra compra o doce da Mariinha Benzedora
o povo credita na ladainha de doce curadô
eu no sabor da abóbora em lasca de coco queimado

do mato erva cura dor
no menino, prendedor. na chibata de três pontas ais. saudade dói mais que varada de marmelo

esse verbo molenga tá curtido num dendê

vontade d'cê pavi-mentada? dicascado
tormento trovão de lenha
quebra meu gelo esse calor  




santa fé, 03/2011

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