22.4.11

Sol em manga

O sol é
Em dia meio
Santa Fé estagnada
Retrato manga aberta
Mosca morre desinformada

Em calor proceloso luz encarece cor e escancara amargura.

Ela morreu. Eu também. Mas ainda percebo o que o sol alumia. Adelle, você em mim no ar que me escapa e retorna cada vez menos.

Sob novembro mangas forram o chão e enlouquecem moscas em melado podre. Fico enjoada, cheiro faz lembrar Adelle, meu ar podredoce.

Santa Fé é uma pisada de rinoceronte no meu juízo. Corro atrás do rabo de um tempo onde duas pestes idênticas escarafunchavam ninhos de lagartixas no pomar, alimentavam aranhas oferecendo moscas apanhadas em manga saliente.

Insustentável leveza do tempo enquanto nos mastiga e dissimula o trágico. Será que nossas rugas seriam as mesmas? Pergunto para o filhote de gato sem rabo.

Da janela percebo os olhos lamurientos da mãe, sei que pensa em você. Conto ao gato que me ouve generoso e sentamos atrás da mangueira.

...

Lá esperamos estrelas cadentes.





[excerto de livro em desenvolvimento].

2 comentários:

  1. Legal a história de Adelle. Nossa, tava escrito "Conto tudo" eu tinha lido "Contudo". Foi legal isso, as interrogações que a linguagem faz na nossa cabeça né? Adorei. Beijos. Volto sempre.

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  2. percebo sonhos da tarde
    arderem aos flancos -
    unhando-se...

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