2.5.11

Não roubarás


gato, ouça. você me interpreta. fechei as portas. o mundo aqui não entra
o meu coração parou. sempre que alguém morre eu penso se foi com fome
e nessas noites, quando encho sua tigela, também desfruto da minha e penso quando terei coragem

sem miar assim, vai. para
sua lógica felina me arrepia
não o deixarei sem teto

eu supero esse asco, gato. mesmo sem ideologias libertárias, sublevações utópicas... hã?! a resposta é óbvia
não há ninguém e nada para salvar. todas as demências estão na prateleira sem pó e rutilando para consumo

o povo-oprimido-pobre-sem-abrigo?
tem seus defensores de verbos gordos
que falam em nome deles, mas para poucos
lá, dos seus gabinetes de certezas

esse povo é tirano passivo desse mundo sem juízo
eu fico aqui e tudo fica lá fora
quê? ainda acredita em inocentes, gato?
sei lá, viu. eu não aposto nisso

8 comentários:

  1. Vc ainda não sabia, mas acabou de criar a série Pecados.

    Pequemos?

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  2. adorei teu senso crítico. o nome do blog tb é genial, haha
    parabéns, tava passeando por aí e achei seu blog, vou virar frequentadora

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  3. "estão na prateleira sem pó" e "verbos gordos"

    essas expressões me cativam demais sabia?
    belissima escrita é por isso que nao consigo deixar ler seus textos.

    Parabens moça! =]

    End Fernandes

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  4. Anna e Letícia.
    se acheguem.
    grata.
    bejo

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  5. Teu blog é diferente... Teus post são muito bons!



    http://compartilhandosentidos.blogspot.com/

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  6. Os bichos nos interpretam, sem fronteira pele-e- alma. Bela lembrança do grande Cortazar.

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