18.8.11

mas turba ação

foto de Gal Oppido. Ensaio: Vestes

Anna,

Outro dia, enquanto passava as roupas da família e olhava para a montanha que vejo de minha janela, comecei a pensar na masturbação. Concluí que ela é uma das mais sutis formas de ficção, de invenção de enredos. Mais que isso, lembrei-me da distinção/comparação que Valéry faz da poesia (dança) e da prosa (marcha) e

Livro DEDOS NÃO BROCHAM, ED DRACO AQUI! NA LIVRARIA CULTURA.

13.8.11

A elegância do ouriço

 
foto de GAL APPIDO - ENSAIOS: As Duas






amar de maré cheia

afundar em ostras salientes

algas envoltas em salivas

águas vivas

silvestres


te quero entre nós.



10.8.11

se você vier/ pro que der e vier/ comigo/ eu lhe prometo o sol...*

Foto de Alberto Korda para a revista Verde Oliva



flores
 não
 são
 inocentes:
 insetos são tolos.
opressores insanos
são frágeis.
oprimidos 
desp
idos
do ví
cio
viti
mi
za
do 
li
vr
es
fi
ca
m
pa
ra
sub
le
va
ç
ã
o
.




5.8.11

xaienny, minha deusa te falo


na esquina de casa tem uns travestis e xaienny é a estrela na periferia dos meus delírios. mas nunca quis ficar comigo. eu a presenteio com batons, rendas, perfumes, bijuterias. outro dia lhe paguei um café. em outro a levei ao médico para saber dos resultados de uns exames. xaienny aflita fez promessas pra santinha. tentei avisar da inutilidade dessas crenças, mas ela disse que era feliz se enganando com isso. pediu batendo cílios longos, aí todos os meus argumentos ateus foram para baixo dos seus saltos plataforma. ela me chama de macho canalha. rimos. sou louca por ela.

3.8.11

mal chamado amor

Foto de Ale Safra

will, seu colo é feito balancinho de parque. faz o amor malogrado ridículo.
sei, mas anna, preciso dizer algo deveras.
você também está sofrendo de amor, will?
não, não é isso. bom, só quero dizer que acho preocupante toda semana tu falar de um amor diferente.
como assim? não é o mesmo?
meu bem, consumismo é horrível, humano então é criminoso. e saia do meu colo. chega de charla.
will, quando dos meus quinze anos escrevi o seguinte texto. eu já desconfiava desse mal chamado amor, escuta:

de olhar neste céu amplo multicor
vem-me passada lembranças
ao brindar com fervor
as loucuras que passou.
adolescente,
rio ao ver-me adolescente
inesperiente fugindo do amor
diziam-me que este era inocente
mas nunca acreditei
ao ver amigas em prantos sofrentes
deste mal chamado amor

essa poeminha forjado não tem fim
felizmente, anna, é péssimo como todo poema de adolescente contemporâneo.
mas o fato, will, é que amor pode não ser natural. quero dizer, como o ciúmes, talvez pode ser adquirido pelo mal hábito das relações...
para! chega disso agora! anna, são duas da manhã, e não mereço isso.
nem eu, will. posso dormir na sua cama?
venha.

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