21.9.11

Pôr à vista

atinar palavra

para mergulhar

ou paredes rebocar




medo.                                                                breve o instante finda para ser silêncio

me-                                                                    eterno.

dou                                                                    tudo.

me-                                                                    nessa comparação com Tempo,

deixa                                                                 no instante não cabe ré.

sem                                                                   palavra é tijolo

sede                                                                  esquerda ruge a vida. do tempo é minha inveja






resposta para isso [...]

revira , floresce, rouba

sou minha pra me dar

se me toma, te tomo

liberdade também é

ficar

saliva
meninas

viramos duas numa noite fria

ais


tenho poucas vergonhas para me orientar. certeza apenas que liberdade é entrar em casa, fechar a porta e encontrar o mesmo: silêncio.


há tantos meios para negar essa vontade. tentei e perdi. me apego ao tempo na esperança infantil e covarde de que tudo passe, mas quem passa é o tempo e roubo de mim: memórias.

o ar está seco, minha pele precisa suar. a sede aumenta e a cada palavra trinca tijolo e cai expondo o que eu deveria proteger. tento rebocar negar correr sublimar transformar mas não consigo. apesar das contradições, essa vontade insiste.


expectativas vendidas em prateleiras românticas são péssimas para o fogo

do dia

olho para os lados,
medo de atravessar
me atravessa o medo

eu falo sozinha.


ENSAIOS: Poses Paulistanas, de GAL OPPIDO
 

4 comentários:

  1. ... não leio sozinho... sou acompnhado de imagens, belasou não, de plavras, certeiras ou não, mas sou acponhada de histórias ...

    obrigado

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  2. "palavra é tijolo" e você constrói castelos com elas. Parabéns!

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  3. Alê, que coisa linda! Como você consegue construir uma poesia narrativa com narração poética?? Meu Deus, que mágico! Parabéns!

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