13.12.11

retrato sedente


se a vontade é d'água
qualquer coisa outra
não mitigara minha sede
por mais que me agrade líquidos di-
versos

raspas miúdas
em casca de canela
você na fumaça
me disperso
perco o nexo

é uma peleja em passos noturnos
feito deslize de gato manhoso
sem peso nem pressa languido
criativo no ócio do desejo solo

discordo das convenções sufocantes
nunca quis maridos e filhos
e todo o peso secular dessas irritações
prefiro a vida dos gatos
vadios a perambular elegantemente
pelas camas nos tetos

é preciso coragem para ser gato?
e para ser e compreender
a liberdade em nós?
essa peleja não é fardo

mergulhar em águas apátridas
e refrescar essa sede

emancipada


3 comentários:

  1. Sou muito ligado a forma de viver dos gatos... Acho a mais justa e simples de todas... Muito bom!

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  2. Portas se abrem para o abismo,
    Há apenas uma fresta
    Da onde posso vislumbrar o mundo...

    Notícias invadem a minha casa,
    Lá fora transitam pessoas,
    Por antenas e fios condutores
    Meu pensamento flutua...

    O canto
    De pássaros cativos
    Ressoam de dentro dos livros...

    Revirei páginas e gavetas
    Nos arquivos da minha vida,
    Traçei hieróglifos herméticos
    Sobre cadernos antigos...

    Abri as venezianas
    Que me ocultavam os dias...
    Dois sóis amarelos em horizontes distintos
    Cegaram a minha vista...

    Obs.; sou um pouco gato já que sou leonino, porém tenho três cachorros.

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  3. ale, curti muito. os desejos e desdesejos.
    a sede.
    beijão, Otavio

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