25.3.12

seu nome

Foto de  Henri Cartier-Bresson     
entre um ai e buscar o ar
te trouxe em palavras
:obscenas
outros dias

troquei o nome dela
o seu num estalo saiu 
um quase mudo instante 
revolução na pele
virtuosa música

dedilhou canção
na palidez em pele sua
soprei seu nome em brisa
pra ser brasa nos sentidos
dela

chama em nome
pele que clama
o nome
seu
a minha

esquecer seu nome 
que me aquece
castiga
irriga -

(?)

necessito.


18.3.12

Dedos Não Brocham, por Claudio Parreira

Drummond e  Pedro Nava com Dedos Não Brocham, por Eunice, BH/MG.

Oi, Alê!!!

baila em braile entre coxas minhas?
você que tão virtuosa dedilha
essa canção para tantos
MELódica
aqui
ai

Claro que eu poderia começar este email com outro p(r)oema, mas achei este aqui muito significativo. Mas a palavra significativo é fraca diante da grandeza desse teu livro. Mais uma vez a canção despudorada/desesperada pelo mesmo sexo, pelos sexos todos, pelo sexo como libertação pessoal e social.
Repleto de Annas e primas e recordações que vêm e vão como brilho de lâmina, este teu livro cumpre o seu papel: provoca até a medula os mais pudicos e encanta àqueles que sabem apreciar uma literatura que vai muito além das regras. E isso as tuas letras fazem bem: pulam a cerca do bom comportamento e enfiam o dedo no nariz daqueles que não veem muito além dos próprios olhos.
Vertigem tem se tornado uma palavra muito frequente entre nossas conversas virtuais. Mas a ela, agora, acrescento mais uma: deslumbramento.
Literatura como a sua é para paladares refinados. A sorte é que eles existem. Parecem dispersos — mas livros como DEDOS NÃO BROCHAM servem para isso: juntá-los em torno do sublime.

Beijus do
 PARREIRA

Obrigada, Parreira.

Claudio Parreira é escritor e jornalista. Foi colaborador da Revista Bundas, do jornal O Pasquim 21, Caros Amigos online, Agência Carta Maior, entre outras publicações, como as coletâneas Contos de Algibeira, Fiat Voluntas Tua.Br, Portal 2001 e também na Fantástica Literatura Queer.  Recebeu ainda Menção de Honra para o conto O Jardim de Esperanças (Der Garten Der Hoffnungen), da Revista de Assuntos Latino-Americanos XICOATL, Áustria, em 1996. Mora em São Paulo, SP. blog claudioparreira.blogspot.com  twitter @ClaudioParreira.



leitor osasco/sp
agradeço seu carinho de sempre nos e-mails.
sobre a foto, amigo! meus sangue é verde.

para o leitor edmilson, meu beijo.

Beagá




e lá vai os Dedos
pelas perfumadas ruas de beagá
em cada esquina belas mulheres engasgam aqueles que as notam
sufocados em possibilidades abordadas.
faltou, amiga de belos horizontes, o livro sobre suas coxas roliças
trabalhadas nessas ladeiras e alimentadas pelos sabores da tradição.
agradeço o carinho


para a leitora de beagá, eunice. beijos com doce de leite.

12.3.12

a vida é tempo

Foto de Melina Coury, de Paris.

e foi isso, will. acabou. para ele só seria possível continuar se fossemos morar juntos, "construir um futuro". "ter um objetivo maior na relação". não compreendo esse condicionamento. se amar é pra casar. já passei por isso e sei o que acontece. eu disse não! que droga. não entendo!

anna, parece uma necessidade aprisionar, comprar, roubar tentar qualquer coisa para ter aquilo que nos agrada. compreendo tua indignação, d.g. sempre se mostrou diferente disso. essa mesmice é o que tem por aí. tantos cantos e casais se "comprometem para constituir família" e repetir o padrão de sempre.

will, ele sonhou alto. pensou em filhos. tentou manipular meus fantasmas ao desenhar meu futuro como uma velha sozinha, numa casa fria sem netos.

imagina? eu sendo esposa, mãe e planejando a viagem da família feliz? ele se enganou comigo.

amiga, seremos eu e tu velhinhos. juntos! mais um monte de gays em bailes gls da "melhor idade".

risos...

estou triste, will. nunca disse que esperava "constituir família". pelo contrário.

acabou.

anna, a vida é tempo.

3.3.12

Amor[e]IRA




foto da internet

Alice e o espelho se olharam. refletiu passivo tapas em cara borrada. eu na porta nada fiz. olhei o auto flagelo. gosto dessas cenas. de meninas com ares suicidas.
ele estragou tudo. ele estragou tudo... - e mais tapas.

estava apenas por curiosidade e não por compaixão. mas obrigada interferi quando ela começou a se morder. eu conhecia essa violência.

agarrei sua mão para baixo e com a outra mão seus cabelos na nuca. fiz força. quer que eu morda você?

esse verbo malhado. trair: eu traio/tu trais/ele/ela trai/nós traímos/vós traís/eles/elas traem... e ela se debatia e chorava. eu segurava mais forte. esse acordo é feito prego no morno da areia numa tarde ensolarada e romântica. é um melodrama insustentável. não percebe? Alice, é ridículo.

Alice não sabia, mas eu tinha uma relação com o namorado dela. desde o segundo colegial. eu sabia que ela gostava dele. eu gostava dela e gostava de sexo com ele. ele era divertido. sem compromisso. eu não gostava dos namoros da praça: mãos dadas, pipocas e discussões por olhar dos lados. ele não sabia do meu gosto por meninas, mas desconfiava. toda cidade desconfiava. talvez essa razão dele me contar como era o sexo com ela.

Alice tenta se soltar. seguro. ela diz querer morrer. rio. ela me olha e sua cara toma novos ares. a empurro para cama e ordeno vigorosa que se deite. o jogo também se transforma. sento na cama empurrada por ela que se ajoelha e tira meus sapatos. beija meus pés cansados de uma festa idiota. abraça minhas pernas e implora para que eu a maltrate e lhe dê prazer.

nunca tive um conflito de interesses tão grave. a empurrei. acendi um cigarro. relembrei dos prendedores, da vez que, escondida sobre a amoreira, eu a vi toda sua.

você gosta dele, Alice.
nem tanto assim.
e qual razão desse choro?
complicado explicar.
fazia sexo com ele?
nunca fiz.

acreditei nela. ele mentiu querendo outras histórias. mas nunca teve.

toda família de Alice estava fora. retiro religioso. agradeci. saí do quarto e dei uma volta no quintal. assim que o cigarro acabou entrei e ela estava lá: nua sentada no chão. no meu bolso, prendedores. sobre a cama, uma chinela.

eu sei que você quer isso, Anna. aceito se for do meu jeito.

eu sabia como era.


mas não sabia a tragédia que nos aguardava.

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