25.5.12

Tchaikovsky, Canção Triste



Tchaikovsky "Chanson triste"


tchaikovsky conversa comigo
veio em ordinária noite de luz irritante
sem eu dar conta de onde e como

alucinação auditiva loucura perturbação psíquica
memória

nada contei aos desprovidos de tchai

soube pela vó
que essa era a canção triste tocada 
no piano, por ela, enquanto eu dormia no sofá

ela parou de tocar cedo demais

faz tempo que tchai não vem
deixar leve
 saudades da vó


para vó

Dedos Não Brocham por Alexandre Pedro

Templo de Diana-Évora, por Marcos Almeida
É preciso entregar-se; embriagar-se de mel e ostras temperadas por palavras meti.culosa.mente entrelaçadas em delícias. Malícia se confunde com carícia, vejam bem! 
O homem se escreve com h minúsculo, e não digno de exclamação. A mulher, longe da interrogação, não se escreve; é dádiva divina: se postra fêmea, nem santa, nem vadia: MULHER. Mulher vampira, sanguessuga. Alimentam-se de mel e ostras pois, a beleza, por vezes, se alcança na dor. Do doar-se...aceitar, negar. O mel necessário é remédio pra cólica. Como diz a autora, "mel.ancólica espirro". Tente beber da sua saliva ácida; mergulhe nas páginas desvirginadas pelos dedos, sempre tensos, de Ale Safra. Tente manter a respiração, sem suspirar, em Dedos Não Brocham.
Ale, magnífico!
Parabéns; gostei demais!
bjao



Alexandre Pedro
http://carceredoser.blogspot.com.br/

Obrigada, Alexandre.




Dia 08 de junho das 19h as 22h na LIVRARIA MINEIRIANA (Rua Paraíba, 1419 - Savassi)

21.5.12

por você


Sarah Hounsell
daquele dia, lembra? ainda é
tarde sol flama
não adormece
não nasce
consome
insone
seu nome
aqui
oui ?

ilumina dedos
eus

daquelas luzes
perdi razão
amar você
turva
me

sol
ponha
se

não posso,
arrisco
há risco
no riso
das unhas
desse
não ser

não sei


13.5.12

assim coo sua vida


Salvador Dali


assim coo sua vida
.
sóis
perambulo à caça de um circo
mas meus olhos há verões estrábicos somam anões abatidos
palhaços e mágicos desvendados, malabaristas com labirintite
luas
circos. círculos vazios em lonas traz a chuva pro picadeiro. “um singular espetáculo dalilesco”. ouço. assisti
ao balé dos pingos sem guardar as chuvas.
invejei um riso roubado ouvido de longinho e fui. o domador de outro circo chamado lembra quando,
perguntou minhas lendas. disse não
quis saber as dele. “lendas não tão óbvias”. ele apontou: assassina?
“não!”
“não é? julguei que sim pelos seus pés”
“nem inocente, senhor”
“a linha da pipa que cai lentamente
marca nosso tempo na lona invertida”. cantou e se foi
antes tentei dizer “há nos cactos doçura”, mas o velho que abrigava na cartola um bando de pulgas
salientes não me agenciou. “são cactos falantes…”. teimosa quis assunto
“os cactos de terno e loção desnaturalizada furaram todas as bolas coloridas”
.
um palhaço dono de outro circo disse ser domador de aranhas. rodamos juntos por meia estação. logo
percebemos a impossibilidade de se domar todas as aranhas não quis mais procurar pelos circos.
“a graça morreu com deus” repetiu o camundongo de bengala e oclinhos lua cheia
.
a mulher barbada não quis meu coração. mas ficou com meus pulmões. foi aí, sob sádicas nádegas
negras acordei ansiando por ar… ainda capaz de ouvir seus risos percebi os furos no lençol e um palhaço
borrado, exímio malabarista de frases, desmaiado no sofá
uma bailarina semi nua em colchão sujo mira
“preciso fugir”. olhei a barata de patins pousada no nariz do palhaço
“prrrudente que sim, use minhas asssas. toda bailariiina precisa de asssas. use-aaas”. “mas eu já
acordei, não?”
.
e saí para o absurdo de buzinas e sapatos

10.5.12

pelos meus olhos palavra sua


Foto de Man Ray

abaixo os tecidos!
úmidas línguas pelejam
dedos saqueiam ais
apossam-se 

[imagin-
ação]

corpo almeja perder
resistências

o acaso será nosso amigo?
haverá uma esquina
onde renderei em você?

após cada batalha
voluptuosamente perdida,

de volta contar os passos
recompor meu nada

expectativas são insanas
volto pra mim
não nos perderemos em nós

não me queira fio de contas
deixa eu absolutamente

s
  o
l
  t
a

5.5.12

istmo azul

foto de Sarah Ann Loreth


- agora meu sorriso é seu - acalentei gatas selvagens - acalmei garras para meu deleite - desfaço pequenos retratos nua a lua não pode iluminar todos os cantos borrados - inteira só minha sede: máxima verdade em mim - antídoto para domingos no sofá de mãos dadas assistindo ao nada - quente meu corpo é real e minhas memórias fantasias - felinas guardam paredes - arrisco - arisca - olhar seu balanço de gato safado no muro enquanto lambo aqui e ali-



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