13.5.12

assim coo sua vida


Salvador Dali


assim coo sua vida
.
sóis
perambulo à caça de um circo
mas meus olhos há verões estrábicos somam anões abatidos
palhaços e mágicos desvendados, malabaristas com labirintite
luas
circos. círculos vazios em lonas traz a chuva pro picadeiro. “um singular espetáculo dalilesco”. ouço. assisti
ao balé dos pingos sem guardar as chuvas.
invejei um riso roubado ouvido de longinho e fui. o domador de outro circo chamado lembra quando,
perguntou minhas lendas. disse não
quis saber as dele. “lendas não tão óbvias”. ele apontou: assassina?
“não!”
“não é? julguei que sim pelos seus pés”
“nem inocente, senhor”
“a linha da pipa que cai lentamente
marca nosso tempo na lona invertida”. cantou e se foi
antes tentei dizer “há nos cactos doçura”, mas o velho que abrigava na cartola um bando de pulgas
salientes não me agenciou. “são cactos falantes…”. teimosa quis assunto
“os cactos de terno e loção desnaturalizada furaram todas as bolas coloridas”
.
um palhaço dono de outro circo disse ser domador de aranhas. rodamos juntos por meia estação. logo
percebemos a impossibilidade de se domar todas as aranhas não quis mais procurar pelos circos.
“a graça morreu com deus” repetiu o camundongo de bengala e oclinhos lua cheia
.
a mulher barbada não quis meu coração. mas ficou com meus pulmões. foi aí, sob sádicas nádegas
negras acordei ansiando por ar… ainda capaz de ouvir seus risos percebi os furos no lençol e um palhaço
borrado, exímio malabarista de frases, desmaiado no sofá
uma bailarina semi nua em colchão sujo mira
“preciso fugir”. olhei a barata de patins pousada no nariz do palhaço
“prrrudente que sim, use minhas asssas. toda bailariiina precisa de asssas. use-aaas”. “mas eu já
acordei, não?”
.
e saí para o absurdo de buzinas e sapatos

Um comentário:

  1. Litanias da lua
    Outono permanente,
    Embalsamados mares,
    Continentes,
    Fontes e lagos oftálmicos,
    Porcelanas impotentes,
    Cordilheiras árticas,
    Desertos de gelo abandonados,
    Acrópoles envelhecidas, ruínas, rochas,
    Caravanas, sapos enrrugados,
    Bicos de papagaios luminosos e multicoloridos,
    Cisnes castanhos, aurora boreal,
    Tabacos ruminantes, galhos de cristal,
    Pálidas lanças, crânios abstratos e mandrágoras sem rosto,
    Sarcófagos violados, parques ferruginosos,
    sorrisos marmóreos, brancos e primaveris.

    (homem com a cruz)

    Daqui a cem anos
    Quando verter leite dos palácios
    Não saberemos o que fazer
    Desta lição de calma
    Que nos deleita.

    Tudo está cheio de ar
    Neste ato de fé cotidiano,
    Nada nos assombra
    E nada nos desagrega.

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