8.10.12

poeirada



foto de Carla Ramos



desaprendi o nunca sabido/desencaixada existo/amo e não fico/não sou para nós?/não sei nadar/ porto é parto/mar em ressaca/ rasga minha retina a secura da tua falta/ risca minha pele verbo empoeirado/olho para o mar/ o abismo do céu calmo me desconexa. a ressaca é da minha garganta/medo é pétala girassol meu medo é riso e risco não destatuar tua tara das velas parcas de mim. não sei amar de maré cheia/sou sem ossos. há-penas pele. sou olhos e ouvidos e tempestade/na língua/anseio ela vestida de cetim azul, lá pelas cinco da manhã/assim meus cabelos recusarem o brilho da oferta/exponho chaga/ ouso verdade alpinista/ tenho medo de mergulhar em quase todos os azuis/do lado de fora o tempo pesa e passa depressa com medo de mim/aquele cetim azul vou levantar e entre suas pernas/o mergulho do retorno/
a calma e o contentamento do nada.

 

não sou para nós

falta em mim vo-

ar sem medo

 

daí

bolinhas de gude pelo chão.


 

Um comentário:

  1. um desequilíbrio entre a vontade e o ser. na garganta o excesso não deságua; os olhos se fecham, mas a boca não abre... e arde sem queimar.
    Adorei as poeiras desse teu verbo, Alê Safra.
    Abraços e boa semana. Daniel.

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