21.12.12

boas oportunidades em 2013

mais 365 oportunidades para escrever.



foto de rené groebli


o pedreiro faz a casa, mas enquanto faz a casa ele nega a casa. e reclama da casa e das coisas da casa. não tenho nada para dizer sobre o pedreiro e nada para dizer sobre a casa. quero apenas dizer escolho não passar mais nessa rua. quero, mas escolho não passar mais.

***

a moça do curso não veio de vestido azul, a cor do meu desespero é ferrugem. dos enferrujados cabelos despencados entre seus seios onde mora -agora- minha revolta.

***

árida língua
pastagens de ausências
não chove em meus ouvidos
meu nome na sua língua
há sede de tudo que nunca foi

***

não haverá volta. é finito e fato. não apele à memória alegre de nós dois em Ss e ms. bom estarmos juntos não é garantia de continuarmos juntos. não condicione as coisas. não quero mais e quando a verdade é do meu corpo, você sabe: acabou. e não force eu dizer que é com você.

***

me nina entre suas coxas. escreva seu nome nas minhas costas
venha todas às quartas e vá embora quando eu dormir.


***

pervertida, louca
serva das nossas loucuras
não seja meu vício

***

você é poesia
dolo-
rosa.

***


para mim mesma conto:
- não esqueça os olhos;
- tudo passa.



17.12.12

vida liberta em fendas

foto de Takato Yamamoto


caracóis abrigam sóis
incrustados
paredes em sal
lá na fenda
- avivamos -
hinos libertários

caracóis
aninhados sóis
nos teus olhos
onde somos

anarquia









16.12.12

doce



sede, não cede
aqui...a-qui ai ah ahh
você não está nem aí
para o vício dos meus dedos
nessa repetição imprópria
em ouvidos errados
seu nome na ponta
dos meus dedos
viciados
sede
e você não cede
uma tarde qualquer.

10.12.12

chiclete rosa



esgotadas.

feito aquele chiclete que ela mastiga no vigor dos seus vinte e dois anos e de modo tão arrogante e sexy. gostei de não dormir por quatro dias mais que cinco horas por manhã, dos quilos perdidos no árduo trabalho para o prazer daquele corpo insistente. gostei de sair e jantar e o que ela fez com os pezinhos sob a mesa de toalha branca e longa. da diversão dos comentário absolutamente maldosos sobre as pessoas pela rua turísticas de paraty.
"o paraíso é temporário". foi a conclusão dela entre o check-out e nos separamos na rodoviária em desabafo tristonho.
para mim o temporário é a condição necessária para existência do paraíso. divagava enquanto a estrada passa pela janela e me refastelava das lembranças perfumada de água salgada.
...
um tanto de cada passo: despavimento rumo essa novidade que sou.

9.12.12




minha pele tá
para sua leitura
em braille.
 
acordar na sua cama é algodão doce

à garota rabiscada






menina,


venha sempre assim, pé na porta. pouca roupa e sem marcar dia e hora. interrompa sono e todos os meus compromissos, venha passar na minha cara seu cheiro e depois de beber meu vinho, comer minha uva e pão, ir embora no meio do outro dia sem anúncio e delongas de despedidas. 
assim mesmo, minha pequena vadia.
deixa esse gosto de liberdade na minha língua.



7.12.12

tribadismo ao entardecer



Sem dúvida: o entardecer é o momento dos amantes.
Infiéis e pecadores, gulosos e sem vergonha. Malditos apaixonados sem compromissos.
Gemidos sinceros, gozos intensos.
Cuidados extremos e nem tanto.
É meu horário. Minhas verdades. Meus gemidos suados, meus risos safados.
Olhos arrepiados, pele brilhante.
Ontem à tarde, minha primeira vez com ela.
Nos conhecemos em meio aos livros, logo que a vi, senti uma necessidade extrema de saber qual era o cheiro entre seus seios. Aqueles cabelos longos me enlouqueceram, sua pele fresca e branca com pelinhos dourados me fizeram salivar, sem falar do olhar, da boca, da promessa dos seios oferecidos e do segredo entre as pernas.
Eu não sabia que ela gostava de transar com meninas, pois tão feminina , delicada e suave não pude perceber de imediato. Mas ela falava sobre livros, livros me cativam e quanto mais ela falava, mais eu me envolvia.
Queria saber mais. Mais.
como encantá-la?
Depois de algumas semanas entre mensagens de texto por celular, e-mails, cafés, ontem à tarde foi nossa primeira vez. Fui até sua casa, conversamos, bebemos e nos beijamos. Eu estava tonta de tesão.
Ela usava um vestido abaixo dos joelhos. Adoro mulher de vestido e descalça. Depois dos beijos, dos toques mais ousados, das atitudes mais urgentes, ela tirou minha blusa e eu comemorei o sinal verde. (risos). E fiz algo que só faço com as mulheres, pois somente as mulheres me remetem as delícias de um parque de diversões, seus cheiros de algodão doce, seus sabores de maçã do amor e suas roupas como embrulhos dos presentes. Só quando dispo uma mulher sinto a empolgação da surpresa.
Subi o vestido devagar enquanto beijava suas coxas, passava as mãos entre as pernas, ameaçava um toque mais íntimo, deslizava em seus contornos para finalmente tirar-lhe o vestido e contemplar a beleza livre da carne em tons.
Puxei-a para a ponta do sofá, e depois de ameaças excitantes, finalmente minha boca estava onde eu e ela tanto queríamos. Passamos uma tarde no sofá, no tapete, na cama e sob a água do chuveiro. O cheiro entre seus seios é algo que me fez perceber a urgência e o delírio dos viciados em heroína. A beleza íntima rosadinha entregue a mim, os sons e as caras de prazer que ela fazia, seu olhar após o gozo...aiii
Eu aprecio a luz durante o sexo. Adoro ver nos olhos quê as palavras não podem significar. O olhar de cada um quando goza é um espetáculo único. Poder observar os pelos eriçar ao toque, ver a cor do rosto se transformar em tons afogueados, eu sei, nenhuma luz é mais perfeita para tal beleza humana, que a luz do entardecer.


texto publicado em 10/2008 e curiosamente não deixa de ser lido.

3.12.12

o horizonte é um sonho bom para todos - parte I

I

(corre. pula. enter. salta. dia.
solta. posta. diz. dias. mergulha.)
- pausa -
para ser sobeja pluma
e decalcar a poesia

assim

 menos errada
menos certa
mais tua

vislumbro a linha onde céu e terra enganam (-me)
- ilusório depósito de sonhos.

vou chegar desnuda
quase sem conceitos
quase sem medos
para ser a leveza do pó

Panta Rei
o fim é uma ideia
aqui nem é real,
mas tudo passa

II 

conti-
nua.


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