13.1.13

ver elos: vermelhos

Foto de Carla Ramos


volto para roer tijolos. lascar argamassa. entender quê é amar entulho
/coice de grito ecoa. giro feito peão em outra infância/
beleza. perfume. sorrisos. mãos desabituadas em busca de afeto

/grito sob água parada/

dói esse toque amável. não o contrário
esquivo na rua o que levo comigo. sinto no braço o toque
amar-
gura

amar
cura /?/

/o medo ácido no tempo peleja. forja coração
                                                                       pendurado em arame farpado/

paredes trincadas escondem ovos de lagartixas
e outros pequenos e contínuos deuses
roe-
dores

tal qual as tintas
as roupas não mudam o que é servido
lá na mesa da cozinha

/amores ofendidos são indigestos/

tal qual as roupas
as tintas não viram páginas


/amores ofendidos são perigosos/


quando você me chama de rata, penso quando deixou de ser 
a pata direita traseira daquele burro velho

o sol não cura. não apura.
devora arames farpados 
- : aço enferrujado. sua iguaria salivante 
ao som dos porcos a caminho do abate

/não há outra história para contar/

a terra é vermelha do sangue dos índios.
do sangue das vacas. do sangue dos porcos.
do sangue das galinhas. do sangue dos rios.
do sangue das virgens. de sangue do cordão umbilical.
do sangue dos dentes de leite. do sangue das bocas atrevidas.
do sanguesuor dos explorados. terra saqueada.

as moscas - sempre alheias a morte -
pastam em terras vermelhas

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