10.3.13

enferminilidade

de Carla Diacov
secura melancólica   não queria evaporar, mas
assombrada pela ausência   dolorida pelo escárnio
secou sem explicar sua recusa

seu choro chiado de i   a dor soa assim
o i belisca sua carne friorenta 
sombras rodopiam a mente aerada

cicatrizes expelem contínuos cacos 
língua farmacológica não reconhece o sabor da melancia
olhos verdes moribundos para o colorido sol de santa fé

"venham comer nozes, crianças" 
mas não há gritos de alegria   sombras infantes evaporam
entre seus dedos osteoporados 

(para o espelho uma pedra
recusa do tempo na pele
e no sangue a doença autoimune)

em quais escolhas condenou sua vida?
das crenças, qual lhe arrancou olhos, língua,
aprisionou passos para o sacrifício?

vejo sua dor e me dilacero impotente
quê fez de sua vida, mulher?
não nasceu para servir-parir

 nasceu para desfrutar sonhos frutas frescas banhadas em chocolate

por qual motivo recusa sua liberdade?
por qual razão não volta pra o jardim secreto?
sua dor nasceu na loucura dos tempos, irmã

a lagartixa da parede te espreita na cama
em pleno sol beligerante 
de todos os dias da semana

são tantos chicotes irados
domesticando almas femininas
incendeia , vida

para ser logo este pó
que tanto anseia

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