17.6.13

ANA MARROM


a porta não quis me deixar sair
avisou sobre meus olhos inchados borrados de terra
coisa velha. consenti. voltei

abrir bau é descer em cova nada rasa
fotos antigas me aprofundam
eu sou desajustada. fantasma bailante

quando olhei aquela foto e vi meu olhar
assustei, não sabia que me doía assim
avessa ao avesso do espelho dos outros

porta fechada e paredes me guardam
ainda viva, ainda vida, ainda res-
piro um resto de insistência

resistência é essa coisa de achar que ainda dá
mas dá onde? dá o quê? para que insistir?

a rua bélica chama 
ardente insistência continental
quem terá coragem para dizer que estamos mortos?

não! não estamos! não estou. mas o que resta sonhar?
marchar feito o vento depositando sementes e fúrias
tempestades e brisas: temporaneidades 

eu desisti de você, fúria
desista de mim suplico
não deixe rastro na minha praia

a porta encalacrada do meu silêncio me guarda
cada lado das paredes me acolhem
eu sou ilha. por nascer ilha

são minguadas todas as pontes: frágeis passarelas espinhentas
a natureza me concebeu encerrada em mim. o continente não me pertence
olho quem é continente sem medo de onda e cisca minha garganta

no centro da ilha me caibo em quatro paredes, uma janela e uma porta temperamental
acima nemesis, a gemeá solar maligna 
lança de si a lenda: evoluir para destruir. destruir para evoluir

eis o movimento?

as pontes estão fantasmagóricas
o continente cobre-se em neblina
eu jogo ao mar coisas & palavras

desajustada para ser continente
sou ilha. mas ao ver a rua eu percebi...
quem não é?








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