3.8.13

adorável fdp

foto de isabel muñoz
abrir a porta pra você, foi tal qual abrir as janelas e deixar tudo ser ocupado pela brisa. tantos obstáculos até chegarmos naquele instante. desarmados e rendidos.
não me importa quando percebeu não ser possível mudar a natureza das abelhas, muito menos o que será de nós. só temos o instante.

"entra". ao passar roubei seu cheiro. fechei a porta e tentei acalmar essa colmeia confusa: quando me ocorreu a possibilidade de não te amar assim? pensei. o que mais gosto em me relacionar com você, é poder dizer tudo em silêncio. passo a chave na porta. sinto seu corpo atrás do meu. sua respiração. suas mãos se aproximando da minha pele e cabelos. não ouso me mexer. tento capturar a raridade da queda dos nossos argumentos protetores e cretinos.

desconsertados. e como não estaríamos? silêncio. suas mãos me tomam. sua boca invade minha nuca. fico presa entre você e a porta e é exatamente onde desejo estar. resistências não nos oferecemos, não naquele momento onde os corpos se movimentam para a única e cristalina vontade do que e quem desejam.
estamos entregues depois de tantos zumbidos.

adoro da urgência, a violência libidinosa. era do seu corpo minha querença. naquele dia, invadimos a noite sem nenhuma expectativa de futuro breve ou distante. e isso é libertador.

não existe cansaço entre nós enquanto existimos naquele quarto. você me entende e atende minhas provocações. falar da sua namorada é um atrevimento ardiloso. afinal, o que faz o sexo interessante para nós é justamente essa perversidade, do contrário a masturbação resolveria. mas seu talento para dizer como é o sexo com ela enquanto faz comigo é muito bom. eu te peço detalhes e você,  pessoa tão generosa e filha da puta, dá exatamente o que precisamos.

sei que irá me procurar mais vezes, mas escrevo para pedir que não faça isso. entende? não carecemos de insistências. não temos condições de sustentar promessas, pactos, acordos e que besteira mais vier entre duas pessoas que resolvem viver uma história fadada. nosso talento é nos magoarmos, lembra? não tenho mais como te pedir compreensão pelos meus pensamentos, sentimentos e atitudes. não vou tentar explicar mais nada e tampouco ser isso que você deseja de mim.
vez e outra isso acontecerá entre nós. esses deslizes reconfortantes. e sim, amo você. mas não me peça para repetir de forma doentia todo tempo, como se fosse preciso para me convencer disso. e pouco importa esse sentimento, não dá direito a nada.

é bom gozar com você, meu bem. mas agora volte para sua namorada. para suas novas mentiras. para seu castelinho dos contos felizes para sempre.

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