27.8.13

auto-retratismo dissecado: renda

Foto de Ale Safra



ardia
rédia
(arredia)
        - ar.
dia. àquele.

tarde de mim
é fogo. cedo.
vício do teu nome
nos meus dedos

o beijo rejeitado
fere feito lavra
de puta em beira
de rodovia.





uma coruja arregalou os olhos e voou. um corpo na grama parece imitar uma cobra no cio me chamando para o enrosco. o cheiro da madrugada invade minhas saudades e ignoro. tento. ascendo um cigarro verde e converso sobre o rio e os peixes com minha cobra. a água é nosso berço, ela diz enquanto tira o vestido horroroso. são vinte e sete passados até o rio, contei e adorei como ela desenterra a calcinha. eu disse para ir nua, mas o medo dos peixes pequenos mergulharem em seu abismo a impede. quando de regresso, me deito na grama e peço que suba em mim, que deixe a água dos cabelos escorrerem na minha cara. ela me beija tão delicadinha. não gosto de beijos delicados. brejeira tenta me cativar. é o paraíso, mas ainda penso no teu beijo. uma mulher dourada de cabelos molhados na minha cara e eu pensando num filho da puta. a moça precisa fazer xixi. "faça em mim", peço. chuva dourada numa noite ausente. 
é o paraíso e seu espectro canalha espreitando atrás da árvore. veja, vou me exibir para você, olha como me farto nos seios dela. ela está sentada diante de mim, coladinha, bem assim, tribadismo no mato. veja...  ai... olhe bem... ai... você não têm seios. é liso. mirrado. te falta viço, te falta essa graça entre outras somente delas. você é só isso em riste óbvia. mas sua boca é linda. sua língua de dragão é minha saudade.  tudo no seu corpo me alegra. releve minhas maldades. continue nos olhando, ouça como ela sibila, veja como me afundo no cheiro da nuca. dos braços. da barriga. mordo esta bunda por você. humm. lambo entre as coxas dela para te mostrar como eu gosto de fazer uma mulher gozar. não deixe de espreitar, fdp, não deixe de me ver com ela, de vê-la fruir na ponda dos meus dedos. na ponta da minha língua implorando para eu não parar. adoro ameaçar desistir, parar só um tantinho, para doer um pouco: quer que eu continue?
é uma tarada. insaciável. ela seria toda sua se você não fosse um fantasma. ela adoraria e eu também. quero ver você dando o melhor de si para ela desaguar no seu trato. ou qualquer outra, pois quero te ver.
estamos soltas na natureza, bichos esgotados antes do sol, sob a árvore da coruja de orelhas. eu não te prometo nada, mas ai se você não fosse essa miséria, seríamos mais histórias. 

falta você ser verdade.

Um comentário:

  1. "o cheiro da madrugada invade minhas saudades e ignoro. tento. ascendo um cigarro verde e converso sobre o rio e os peixes com minha cobra..."

    a cada leitura uma nova surpresa.

    http://www.youtube.com/watch?v=gOcPsaYXk24

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