5.9.13

crimes do amor


I

novamente à porta, nossa demência. você de um lado bate. espera. eu do outro penso. resisto.
um mais do mesmo sem final feliz. uma cena blockbuster manjada. todas as cenas de paixão são ridículas. o amor tem esse enredo brega e previsível. entre esperar e resistir a porta some num efeito blasé. a palavra nos queima. o sofá acolhe nossa urgência. mas ainda te acho um filho da puta. você acha o mesmo de mim. é o que somos. nada mais óbvio que nós dois.


II

quando consigo mandar você embora, penso se vai procurar sua namorada. se irá rir de mim como ri dela nesse jogo de indiscrições. ai esses prazeres doloridos. eu não gosto quando você tem apenas uma namorada. gosto quando têm outras. não desejo exclusividade. não seja tolo. muito menos de dou isso como brinde. seja dela, seja meu e de quem mais você quiser ser. "mas, antes de ir, senta aqui... conta mais sobre ela. essa dor me faz tão bem".


III

lembra da nossa última viagem? nos assustamos pelo entendimento desembaraçado. a intimidade revelada. a fluidez do convívio. não somos assim. somos avessos às rédeas. preferimos a solidão da alcova a trilogia: cinema, pipoca e beijinhos. nossa perversidade nos liberta, mas nos prende. acho que gostamos disso. ou fingimos bem.


IV

ao invés de assumir que o amor é o mais vulgar dos sentimentos que lhe dedico. prefiro negar voce (e há mais verdades no ato que na palavra). distância é a única forma de me manter viva e sã. invejo seu talento para enlouquecer. faço constantes exercícios, mas sou amadora. ainda. sou assim, exposta. boca aberta ao abandono.


V

naquela viagem, percebi que lhe daria tudo, mas o susto me roubou de você. quebrei juramentos diante dos teus pedidos. seduzi e levei uma inocente para nossa cama. deixei você olhar. deixei você enlouquecer e amei todas aquelas sensações. perversamos tudo. nos tornamos criminosos juntos. insaciáveis. perigosos. doentios. exaustos.

já passei por essas situações antes, com outros homens. o jogo é demasiadamente óbvio e insuportavelmente delicioso. por isso me rendo em rendas e me repito nesses pequenos delitos. indiscrições. sadismos. perseguições. sedução e exposições veladas.


VI

você me odeia? eu perguntei na rua, sob aquela árvore que abrigava da luz do poste o carro parado: você me odeia? ME ODEIA?


VII

eu te desejo pra caralho, fdp.


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