3.10.13

domar


foto de otto stupakoff


                          pele água
                               do mar
                    sua onda
                                     quebra em
                 mim  

pele do mar
                    água
   onda sua
                 em mim
quebra

                       água do mar
pele onda
               em mim sua

quebra  

               sua onda pele 
do mar água 
                                quebra em mim

em mim sua
                   pele onda
domar 
            água
quebra

em
      mim
sua

        pele
do 
      m
ar

   q
u
    e
  b
r
   a

abissais

abis-
sais. em brasa
anna

fendas chamam línguas brandas
“era pra ser uma história de amor” ela disse gemida;
“romantismo não tem cheiro de terra” respondi com a língua cheia

nanda é bailarina. em seus pés
cada calo cala e extasia-
me apetece deformidades do hábito

baila em mim réptilíngua ávida
e seja minhas faltas. sua  passiva cá
dela

das janelas arreganhadas o vento acomoda folhas
sobre mim, ela. passarinhos e insetos tomam pl-
ateia e um tanto de floresta canta
enquanto te risco a pele
(viciosa & sevícia)
delíramo-
nos

ecos nas línguas findam
você nanda, assim tão nua
vestida de cetim azul
não atina, escaldante criatura,
as labaredas em pés eriçados de
mente perversa apunhalar
crendice
sua

cuspe no chão. lamba!
mentiras das tuas ideias
ácidez em teu estômago
para renascer da azia

pago um e noventa e nove pra te foder
enquanto pasta em saliva deprimente
a chamo de moça de família,
"você gosta que eu faça igual ao seu marido?"
"você é minha mulherzinha respeitável
mãe exemplar em carne es-
corre e volta implora 
mais uma vez"

nessa hora bicharada se masturba
é em sua homenagem nanda hipócrita e viciada nanda
deliciosa e crente nanda pervertida e covarde nanda
febril e culpada nanda religiosa & besta nanda:
como é ser surda-muda para si?

e continuo em galopante peleja. oposição na posição.
quê dirá teu marido se te pega assim? "está é a mãe do meu filho? a mulher que me alimenta? maldita! – monstra! aberração! sua sobra besta suja"
e lhe direi mulher: "agora sofra até ser livre
das crenças enfiadas no anelar esquerdo e parida em ossos e sangue"
arrombe a roda e lasque o hábito.

grite para o mundo
haverá outros uivos a saldar a morte da mulherzinha
darão graças os insetos e os grãos da terra molhada
não!
não tema, não chore, não desista de me dar
nenhum dos seus segredos
sinta
vou devagar, serei dulcíssima, venha, deita aqui
não chore, isso, de bruços, suas mãos à corda
mordaça para eu nos libertar

os insetos sabem, todos sabemos e fingimos não saber
automentira autoengano autoignorada autoestrela
alta nanda, não quero que volte nunca mais
não venha mais implorar para eu te fazer feliz
quero lonjura das suas quedas isso isso isso

escrevo na sua pele nossa despedida
pague outra puta para realizar suas fantasias
me desagrada não é fazer seu gozo livre
é a encenação do santo laço sagrado


nanda, seus quarentas e um anos não te servem de nada
os insetos sabem disso, você sabe. repito: não quero mais seu dinheiro
nem seu cheiro, nem seus gemidos
vá para seu leito conjugal e morra neste tédio descabido


para m.g. 

maculada des(arrependida)


vertiginosa boca
ver entre joelhos
elos sexos esquinas
cadelas abjetas 
eunice reprimida

um punhado de putas
e meus pés ainda sujos
traga-me tua língua de trapo
teu serviços, vagabunda!
tua servidão calmante 
carne tela em coração 
devoto

olhos baixos
para
ex-
ceder




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