22.12.13

insurgentes








rodopiar piano piano da sua manga direita suja de sangue
serviço francês. meus dedos em creme das frutas vermelhas

rodo e pio feito uma coruja abatida diante da boca da cobra
no derradeiro instante: como amar essa finitude?
como me aconchegar no seu estômago sepulcral?

cortejo famélico dos pedaços de rim
rumo aos dentes cintilantes após as pequenas constantes guerras
um naco da minha língua atrás do seu canino

piano de caldas de chocolate para eu aprender a ser meiga
músicas suaves. fitas azuis de nossas senhoras etiquetadas
"assim a menina toma jeito de menina. fica dulcíssima”

nasci e não gostei. chorei sem me conformar. sinto cólicas e faço caretas
a coruja deixa a cobra caolha, mas ainda assim
abatida

sua camisa o sangue da minha boca respingado: branco. vermelho
e o azul das tuas varizes enquanto espera meu coração em patê
ignoro teus síbilos. lambo o vão das frutas insurgentes

passo as costas da mão esquerda e limpo somente o excesso da minha boca


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