1.12.14

adorável fdp II

Egon Schiele


sua namorada apareceu na porta do meu prédio. de novo. feito ladra me roubou um susto, o tempo do banho, do jantar, da leitura, do seriado, do sono. borrada pelo choro fumava um cigarro aceso no outro. o que poderia lhe dizer? que tenho nojo de lágrimas? que não nos falamos em meses? que não lamento dizer sim para você toda vez que toca meu interfone? não me comovo com a angústia dela e não me culpo. aceito as coisas como são, dói menos. é o que é, evito dramas. disputar alguém com alguém é estúpido. não vejo mulheres como rivais ou inimigas, nem homens como troféus. ou é ou não. só o prazer me interessa. 

ela esta descompensada. me irrita. mas não posso deixar de ver a sensualidade da cena.

você a enlouquece quando fala de mim. precisa disso para ter prazer? ela é confusa, olhos doloridos pelo ciúmes raso. que chato. ofereci água ardente de banana lá de santa fé. virou o copo! ela aceitou rápido o convite para subir, acho que sempre esperou isso. queria ver onde você deixa de ser exclusividade. enquanto subíamos as escadas, eu olhava o porte da sua morena, grande, cabelos longos, calça justa, cintura fina, bunda linda. o belo em sua versão ordinária, como você diz.

abri a porta mas fiz frente, ela entrou roçando os seios nos meus. busquei seu cheiro, e era uma mistura de cigarro, perfume e bala de cereja.

quando ela contou a você o que aconteceu daquele momento em diante, você enlouqueceu. talvez, pelo prazer de rever aquela parda deitada e nua, suada, gemendo alto, contorcida de prazer e dor, eu deixe vocês dois entrarem na meu apartamento.

eu lhe dei água ardente de banana, e contei a ela, com sofrimento de detalhes, aquele dia que você, sentado na cadeira da cozinha, experimentou da bebida na minha língua enquanto eu no seu colo me encaixava. mostrei a ela todos os lugares onde enlouquecemos, fui cruelmente naqueles pontos que a fez arrepiar, dei a ela a crueldade que foi buscar. contei as coisas que me diz. e toquei nela para explicar como você me pressiona contra a parede do corredor. seus olhos dilataram, sua boca abriu para buscar o ar que começa a faltar.
quis saber dela se queria saber o gosto da boca que você beija. se ela queria saber o cheiro da pele que você morde. a textura dos cabelos que você puxa, as mãos que te fazem querer sempre voltar. as palavras que nos excitam. quando cheguei no seu ouvido já estávamos no desconforto favorável do sofá. a cama onde ela chorou. pois sabia que ultrapassou um limite que não poderia mais voltar. e não estou falando de você. nem de mim. mas de algo que só as mulheres sabem.

eu deveria sentir vergonha? culpa? remorso por seduzir sua namorada? aposto que você quis saber como ela gozou no sofá. na cama. no corredor. na cozinha. no banheiro. na lavanderia. quando ela me procurou novamente. o quando ela quer mais. eu jurava que não voltaria a vê-la devido seu constrangimento e confusão, mas ela quis. por uns encontros gostei de ver como a vontade dela ser uma mistura minha e sua. 
como todas as coisas raras, a constância me deprime. 
espero que ela encontre seu colo para se confortar.



de rosa prata



ficará um beijo teu deslembrado aqui
nesta boca pirata atrelado ao sol que não nasce
asfixiado pelos corais das horas não sentidas

uma pedra-beijo balançante nos mares revoltosos
destes dias secos sem estrelas e cavalos-marinhos
sem albatrozes e nuvens brancas de baleias domésticas


(as cavernas deste estômago invadida
lavadas pelas ondas redentoras
dos marujos das chances esvaziadas
- abusivos -
eles não deixam afundar nas cavernas estomacais
as substâncias da escolha. (da minha escolha)
e pela segunda vez este navio zarpa
sem mapa de navegação)

salificado olhos e papilas gustativas,
nas fendas eloquentes este mar vermelho das ondas gritantes
sereias salinas


zarpam palavras em grãos de areia
neste sem opções de atraque
todo porto é um bote armado
prestes a lhe presentar com âncoras


se a lua e o sol fossem menos eloquentes
se o céu não fosse infinito
e o mar não fosse este ventre
se minha memória fosse uma ostra vazia 

(pirata das esquinas marinhas
um sentimento do saque)

há anzol no meu coração
mas sem linha. nem uma vara. nem um braço

há anzóis nos meus olhos e na minha garganta
nos meus pés, teu beijo. sobre minha cabeça, nada
sobre meu sexo um punhal de rosa prata
nada é constante nos mares ou nas nuvens

quando descobri o tesouro das sereiras
de seus cofres submarinos de estrelas cadentes
fui menos triste

30.11.14

parênteses

essa poesia no silêncio das mãos
daquilo que toma, do gesto que suplica
e espera

sob as unhas um misto de sangue e terra
nos poros saltados dos ossos morros de saudades
e linhas inconstantes

há lembranças nessas mãos nos caminhos de nós
e atalhos afirmam: toda linha é uma utopia

(na dificuldade não segure nenhuma
esperança)

as mãos não mentem
mas apenas no que não dá

26.11.14

um copo de pó

Gal Oppido


evito, há muito tempo, a morte deste eu. não é uma vida ruim. o que incomoda são as mentiras que não criamos.
morrer é para poucos. mesmo. nascer é doloroso. mais que morrer. sinto mais comiseração por quem nasce do que por quem morre. ou do que renasce, para o que deixa de ser.
o meio, entre nascer e morrer, é uma nuvem fofa num céu inconstante e alheio aos desejos. eu deveria amar a mudança. mas me apeguei a esta vida mais que imaginei. ou, me convenci das minhas mentiras.

quando volto para você, é uma mentira que nos conto. vivemos por convenção. mas já sacamos o engano. tentamos tapar as rachaduras. tentamos?  acho que já não escoro mais as paredes. o teto semi despencado revela que as tempestades não tardam.

é curioso como a terra não teme as inconstâncias do seu oposto, pelo contrário, anseia passivo essas monções, sem temer a severidade, sabe reconhecer os dias bons ao seu constante deslumbramento. e espera o sol apaziguar a vida. e renovar. e renascer. e transformar numa parceria constante o que vem de cima. o céu as vezes deseja a terra. e se ligam em momentos raros. mas em cenários de tormentas.

"nem tanto ao céu, nem tanto a terra" diz o clichê, e neste nosso compasso sou o céu, você a terra. meu coração está tempestade e o seu hábito. espera. o meio termo entre nós é uma mentira antológica.

somos inocentes.

o sol queima nosso cantos sombrosos. e se não inundar e desabar, ficará estéril e será pó. que escolhas temos?
nenhuma, amor. nenhuma.




9.11.14

a festa das flores

Alison Scarpulla


verdes vésperas em vísceras vestais
veação de línguas virtuosas virgens
vincos. vingo. desnuda sucumbida
vontade vestal, vexa - e míngua

varal de úteros as selvagens exibem
corações azuis na fogueira jaz
em santa fé, o sagrado mofa
no velho livro desencapado

no quintal das vespas cálices enleva  
árvores bifurcadas sedentas papilas
humana virulência floresta no v
da liberdade em seiva amanhece

àquelas cujos quadris zombam das regras
no riso a floresta se dá

animais lânguidas lambem-se na mata
e toda soltura é na marra. na farra



se olhar tempo demais para a fera
a fera liberta-se em você





28.9.14

crochê varal

Desenho de Sarah Hounsell

74 anos. mastigava há 50 o chiclete, uma lasca amarga de cordão umbilical
24 anos foi gente. o resto foi função em nome do pai, do rebento e do absurdo
15 gatos. 10 cachorros. 2 netos. 1 bisneta. 1 homem enterrado. 1 amor perdido.
1 sonho nunca vivido. 1 avental. 1s toneladas inomináveis garganta abaixo

7 ossos restaurados. 40 dentes não confiáveis. badaladas no corredor penumbrento
uma santa empoeirada cheira fritura há décadas e marca hora de oração. de novo hora do jantar. frango frito. os cachorros brigam. os netos ignoram. o chiclete quer jantar. a bisneta faz manha.
os felinos preferem o telhado

7 passos e 4 latas com roupas de molho. o joelho não quer dobrar. nem os olhos separar feijões. os pés protestam, inchados e rachados, contra os passos até o tanque. a vassoura, em sua finitude ligeira, é companheira dos calos. o sabão derrete carinho entre os dedos. mas o chiclete quer a calcinha favorita limpa. é noite de baile. será que arruma o marido rico?

7 pontos depois de 4 passos e 1 quina de armário. foi para onde encurralou o grito. "descuido" o chiclete disse no registro. 7 dias de internação para ganhar peso. tratar desidratação. hipertensão e 1 infecção de pulmão. um pacote completo de "ites". foi um descanso sem reflexão 

então 1 joelho que não dobra. 7 pontos na cabeça. não contabilizáveis calos, cicatrizes, nódulos, cistos generalizados. 2 ovários muxos. 1 intestino rompido. as lembranças são um mar de merda
chiclete ignorou o gemido. fazia sua maquiagem para o baile esperança do 3º marido

a luz daquela santa fedida do corredor apagou às 07:40. 1 noite em agonia. 3 netos cada qual em um universo paralelo. 1 bisneta que assistia curiosa as mãos carcomidas em conchinhas tremerem vez e outra até parar foi sua última companhia.  

resultado: 1 vida em cova rasa. 1 caixão barato. passado enterrado.
e neste agora, de futuro interessante, chiclete não havia pensado. em sua ladainha "comigo será diferente", que arrumaria um marido rico, não previa 28 animas famintos no retorno do funeral. 1 avental passou por seu pescoço sem que chiclete desse conta. 1 vassoura. depois 1 sabão, as roupas. até que o próprio tempo passou. E de 1 em 1 o final desta história não tem surpresas. é um esquema de crochê, presentes de mãe para filha





19.8.14

pergunte aos pés

angelina nové

sapatos covas de paisagens
memória esquecida do pé
pisoteado coração na planta
não pulsa, marcha, sem pele

atos bárbaros no rasto
sapato enterra. calo
cegueira do laço

cada sapato adorna
a feiura do trajeto
nas rachaduras
parede dos pés

do sentir, da razão
ninguém perguntou aos pés:
onde está sua vontade?
em silêncio, lateja
deformidades do hábito

na caixa dos sapatos
um rascunho da mesma história
subserviente

areias repelem sapatos
alinhamento raro
mente, coração
e passo


10.8.14

tamarindo poesia

Angelina Nové
folhas no corredor. a porta, no fino traço da sua poética, convidava como sempre
te chamei. entrei. queria tocar seus olhos. tudo preto e branco. queria alucinar na sua tara. sou animal famigerado pela seca dos dias. quero acordar no seu travesseiro. chamei seu nome baixinho para não assustar um potro sobre a mesa

(seu nome)
(seu nome)
(seu nome)

onde? ousei chamar pelo nome que não gosta, de zomba. nenhuma aparição. poeira. um resto de tarde sem temperatura. preto no branco. passa um lobo albino

achei a latinha das moedas antigas. um tempo naquelas três criei histórias pornográficas para o uso delas. a janela da sala não tem mais aquela paisagem concreta. agora é neblina espeça. (seu nome é azedo à minha língua. adoro frutas assim. tomar rindo seu nome. sede do seu beijo. você não vem. não chega. não chama. só me dá silêncios

fumei aquele cigarro que me deu - é forte - de costas para a janela da sala balanço na rede. a porta aberta revejo as fotos enviadas. você existe? toquei seus livros. deitei na sua cama. não consegui sentir seu cheiro. não havia cheiros nem temperatura. nem azul. somente duas cobras acasalando no corredor dos quartos

um resto de dia em que a luz se entrega voluptuosa a verdade. não lhe disse o quanto esse horário me deixa preto e branco. rascunho

havia um beija-flor no seu quarto. ele se gatamorfoseou, deitou entre meus seios. o rabo era de pequenas e negras penas ao invés dos pelos. se cair alguma pena, pensei, farei brincos. houve um miado de graça.

gosto de sentir suas imagens. sons para criar sentidos. me recuso te desvendar. você não é um poema autista. eu não sou uma acadêmica em busca de soluções. é extraordinária a beleza do seu ser mistério

29.7.14

mulher peregrina de asas castanhas


eric keller


tenha-se nas paisagens 
nas línguas e ruas. nas sombras
e especiarias dos olhares
mulher peregrina de asas castanhas
teu voo autopermissão

olhos tâmaras ávidos. férteis 
cores sejam e outras nasçam

ter-se: roubar para si liberdades

peregrina de asas castanhas
dancemos com olhos nas mãos

territórios minados
      
                                     aladas

o mundo na pele que habito


                                               





21.7.14

corvos bípedes impunes



corvos azuis navegam bí1is. saqueiam pa1avras
pirateiam meninas virgens. roubam alices
naufragam humanas e frágeis curabilidades

corvos robóticos massacram nascentes
minam os mares para desérticos henriques
em barras disponíveis em supermercados

corvos mu1tifacetados unidos nas esteiras
ondas rateiras. canais sorridentes
abortam humanidades




20.6.14

auto-retratismo dissecado: mulher marinha

foto de Ale Safra

acende
mulher marinha saliva me enchente
líquidas: afogo em mar de linho azul

arma-se do melhor de si e me represa
abundante mergulho iemanjá devoto

nu sol a sua língua em alto mar
paredes algas tormentas
mulher salina ascende
eu, polvo, devoro















24.4.14

procura-se um namorado

um namorado. sinto falta. precisa ser dulcíssimo. fofo, saca?!
honrado, bom moço, gentil. trabalhador. ai, adoro quando dizem: "sou trabalhador, homem de bem". e dito com demasiado orgulho me arrepia mais. um namorado acolhedor. com olhos de boi mansinho.
precisa ser para namoro sério.compromisso mesmo. uso aliança se quiser. aceito jantares, cinema, viagens e dormir de conchinha. também ser apresentada para a família (as mães e familiares costumam se encantar por mim). participo de festas de final de ano, festas de casamento, aniversário e almoços de domingo. concordo com apelidinhos do tipo "amor", "vida', "bebê" e varições de um casal apaixonado. ofereço atenção, carinho, diálogo razoável, presentinhos mimosos, promessas de sonhos para um futuro feliz e sexo. muito sexo. sexo bom. sexo completinho. sexo durante a semana. sexo antes do trabalho e sexo antes de dormir. sexo aos final de semana. sexo dentro e fora de casa. realizo quase todas as fantasias sexuais e analiso proposta para casamento em igreja. com festa, bolo e padrinhos. sou apresentável, mas cozinho mal. também não sou fã de serviços domésticos. sendo assim, será um diferencial o homem que lavar, passar e cozinhar. proponentes deverão enviar intenção via e-mail tequeronamorada@beijo.com








de todas as minhas taras, considero essa uma das mais cruéis. sei e nada posso fazer, é um desejo sem arrependimentos. uma vontade tão quente quanto vênus. um desejo estranho feito gente que lambe pregos. sentir falta de um namorado, de me apaixonar por ele e ele por mim, apenas pelo fogo encalacrado em voltar para ele depois do encontro com outros e outras. de fazer ele me beijar onde outros e outras estiveram. sinto falta de trair a doçura. de pisar na meiguice. de ofender de morte a fidelidade. sinto falta dessa perversidade com o bom homem que me olha apaixonado. uma falta danada das mentiras divertidas sobre a ausência, as marcas, os cheiros. sinto falta de sujar a tolice do relacionamento romântico. uma tara danada de ficar de mãos dadas no sofá da casa da sogra de domingo, cruzar as pernas e pressionar buscando o prazer enquanto todos olham uma mulher bem comportada, adequada e inserida. e eu relembrando o inominável.  

10.3.14

olhos de lago

foto de Ale Safra



sua boca tem sobrenomes: ponte, espinho, água mista, chocolate, labirinto
um pulo e suicídio
um pulo e rodovia
outros e cactos em vinhos

cabeças cactáceas
acachapantes poréns dos tempos
um filete de água me basta
para aguentar os sóis e as luas regentes 

das dimensões para além da renda
você dorme em mim

diaba do meu paraíso noroeste

maioria da minoria






sou mulher, negra, gay, árabe, ateia
tenho meu rosto desfigurado por ácido,
o corpo escondido por um manto negro
ou exposto como arranjo de mercadoria
sou pobre, deficiente, ignorada. escondida
meus olhos estão roxos e meus lábios cortados
vagina desrespeitada pelo absurdo
sou bela, rica, asiática, e mantida como escrava
atendo todos os rótulos: vadia, mãe, amante
louca, piranha, santa, vaca, puta, fofa e tô na rua
mesmo morta pela misoginia, pelo machismo e homofobia
pelos abortos clandestinos, em campos de refugiados
mesmo mosta por nascer menina, lána china
vivo na boca das meninas. todo suor do massacrante trabalho doméstico
é da minha testa que desce quando sou roubadas de mim
meu útero saqueado para gerar soldados e consumistas
meu corpo roubado por ser escrava sexual, rural e emocional
oito do três não é meu dia. piso em todas as rosas
ignoro todo parabéns. hoje é um dia triste
um trinta e oito apontado para meus olhos
esse dia estúpido não deve ter ares de festa
toda homenagem, presentes, abraços, é um ato violento
que banaliza todo sofrimento, discurso e movimento
ouça as mortas, sinta suas dores, elas são de todas nós
falem de mim, destas marcas aqui. deste roubo. deste assassinato
desta desunião criada entre eu e minhas iguais. destes deuses patriarcais
não sou vítima, sou roubada em todos os meus direitos de existir
mas sou mulher e tô na luta e sou todas as mulheres do mundo
agora, passado e futuro


26.2.14

sol branco

de Thiago Rocha Pitta


as formigas carregam pedaços de rins às doze, nas intrincadas redes subterrâneas das coisas suspensas
nesta culminância, na alameda trinta e três, eu sob quarenta e dois graus
árvores estáticas, verde sem voz, passarinhos não cessam insetos

as sombras recolhidas difamam olhos úmidos

fios de cabelos opacos no bafo. há poeira de flores nas cavidades daqueles não-olhos

quando quis te libertar, irmã, me condenei as dúvidas
que é mais humilhante? é a vida ou o nada?

formigas aladas carregaram pedaços de você para coisas diversas
arrepio desta zombaria da matéria ao afagar um gato

hoje, quando caí no corredor, me lembrei da música
aquela cuja letra você errava para ouvir meu riso
hoje não ri, não lamuriei. bati a palma da mão esquerda para limpar a roupa

acho que envelheci a saudade






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