26.2.14

sol branco

de Thiago Rocha Pitta


as formigas carregam pedaços de rins às doze, nas intrincadas redes subterrâneas das coisas suspensas
nesta culminância, na alameda trinta e três, eu sob quarenta e dois graus
árvores estáticas, verde sem voz, passarinhos não cessam insetos

as sombras recolhidas difamam olhos úmidos

fios de cabelos opacos no bafo. há poeira de flores nas cavidades daqueles não-olhos

quando quis te libertar, irmã, me condenei as dúvidas
que é mais humilhante? é a vida ou o nada?

formigas aladas carregaram pedaços de você para coisas diversas
arrepio desta zombaria da matéria ao afagar um gato

hoje, quando caí no corredor, me lembrei da música
aquela cuja letra você errava para ouvir meu riso
hoje não ri, não lamuriei. bati a palma da mão esquerda para limpar a roupa

acho que envelheci a saudade






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