10.8.14

tamarindo poesia

Angelina Nové
folhas no corredor. a porta, no fino traço da sua poética, convidava como sempre
te chamei. entrei. queria tocar seus olhos. tudo preto e branco. queria alucinar na sua tara. sou animal famigerado pela seca dos dias. quero acordar no seu travesseiro. chamei seu nome baixinho para não assustar um potro sobre a mesa

(seu nome)
(seu nome)
(seu nome)

onde? ousei chamar pelo nome que não gosta, de zomba. nenhuma aparição. poeira. um resto de tarde sem temperatura. preto no branco. passa um lobo albino

achei a latinha das moedas antigas. um tempo naquelas três criei histórias pornográficas para o uso delas. a janela da sala não tem mais aquela paisagem concreta. agora é neblina espeça. (seu nome é azedo à minha língua. adoro frutas assim. tomar rindo seu nome. sede do seu beijo. você não vem. não chega. não chama. só me dá silêncios

fumei aquele cigarro que me deu - é forte - de costas para a janela da sala balanço na rede. a porta aberta revejo as fotos enviadas. você existe? toquei seus livros. deitei na sua cama. não consegui sentir seu cheiro. não havia cheiros nem temperatura. nem azul. somente duas cobras acasalando no corredor dos quartos

um resto de dia em que a luz se entrega voluptuosa a verdade. não lhe disse o quanto esse horário me deixa preto e branco. rascunho

havia um beija-flor no seu quarto. ele se gatamorfoseou, deitou entre meus seios. o rabo era de pequenas e negras penas ao invés dos pelos. se cair alguma pena, pensei, farei brincos. houve um miado de graça.

gosto de sentir suas imagens. sons para criar sentidos. me recuso te desvendar. você não é um poema autista. eu não sou uma acadêmica em busca de soluções. é extraordinária a beleza do seu ser mistério

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