30.11.14

parênteses

essa poesia no silêncio das mãos
daquilo que toma, do gesto que suplica
e espera

sob as unhas um misto de sangue e terra
nos poros saltados dos ossos morros de saudades
e linhas inconstantes

há lembranças nessas mãos nos caminhos de nós
e atalhos afirmam: toda linha é uma utopia

(na dificuldade não segure nenhuma
esperança)

as mãos não mentem
mas apenas no que não dá

26.11.14

um copo de pó

Gal Oppido


evito, há muito tempo, a morte deste eu. não é uma vida ruim. o que incomoda são as mentiras que não criamos.
morrer é para poucos. mesmo. nascer é doloroso. mais que morrer. sinto mais comiseração por quem nasce do que por quem morre. ou do que renasce, para o que deixa de ser.
o meio, entre nascer e morrer, é uma nuvem fofa num céu inconstante e alheio aos desejos. eu deveria amar a mudança. mas me apeguei a esta vida mais que imaginei. ou, me convenci das minhas mentiras.

quando volto para você, é uma mentira que nos conto. vivemos por convenção. mas já sacamos o engano. tentamos tapar as rachaduras. tentamos?  acho que já não escoro mais as paredes. o teto semi despencado revela que as tempestades não tardam.

é curioso como a terra não teme as inconstâncias do seu oposto, pelo contrário, anseia passivo essas monções, sem temer a severidade, sabe reconhecer os dias bons ao seu constante deslumbramento. e espera o sol apaziguar a vida. e renovar. e renascer. e transformar numa parceria constante o que vem de cima. o céu as vezes deseja a terra. e se ligam em momentos raros. mas em cenários de tormentas.

"nem tanto ao céu, nem tanto a terra" diz o clichê, e neste nosso compasso sou o céu, você a terra. meu coração está tempestade e o seu hábito. espera. o meio termo entre nós é uma mentira antológica.

somos inocentes.

o sol queima nosso cantos sombrosos. e se não inundar e desabar, ficará estéril e será pó. que escolhas temos?
nenhuma, amor. nenhuma.




9.11.14

a festa das flores

Alison Scarpulla


verdes vésperas em vísceras vestais
veação de línguas virtuosas virgens
vincos. vingo. desnuda sucumbida
vontade vestal, vexa - e míngua

varal de úteros as selvagens exibem
corações azuis na fogueira jaz
em santa fé, o sagrado mofa
no velho livro desencapado

no quintal das vespas cálices enleva  
árvores bifurcadas sedentas papilas
humana virulência floresta no v
da liberdade em seiva amanhece

àquelas cujos quadris zombam das regras
no riso a floresta se dá

animais lânguidas lambem-se na mata
e toda soltura é na marra. na farra



se olhar tempo demais para a fera
a fera liberta-se em você





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