1.12.14

de rosa prata



ficará um beijo teu deslembrado aqui
nesta boca pirata atrelado ao sol que não nasce
asfixiado pelos corais das horas não sentidas

uma pedra-beijo balançante nos mares revoltosos
destes dias secos sem estrelas e cavalos-marinhos
sem albatrozes e nuvens brancas de baleias domésticas


(as cavernas deste estômago invadida
lavadas pelas ondas redentoras
dos marujos das chances esvaziadas
- abusivos -
eles não deixam afundar nas cavernas estomacais
as substâncias da escolha. (da minha escolha)
e pela segunda vez este navio zarpa
sem mapa de navegação)

salificado olhos e papilas gustativas,
nas fendas eloquentes este mar vermelho das ondas gritantes
sereias salinas


zarpam palavras em grãos de areia
neste sem opções de atraque
todo porto é um bote armado
prestes a lhe presentar com âncoras


se a lua e o sol fossem menos eloquentes
se o céu não fosse infinito
e o mar não fosse este ventre
se minha memória fosse uma ostra vazia 

(pirata das esquinas marinhas
um sentimento do saque)

há anzol no meu coração
mas sem linha. nem uma vara. nem um braço

há anzóis nos meus olhos e na minha garganta
nos meus pés, teu beijo. sobre minha cabeça, nada
sobre meu sexo um punhal de rosa prata
nada é constante nos mares ou nas nuvens

quando descobri o tesouro das sereiras
de seus cofres submarinos de estrelas cadentes
fui menos triste

Um comentário:

  1. Hoje você veio comigo no bolso pronta a ser lida à primeira oportunidade.Bom descobrir você

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