26.8.15

a firma agradece a preferência




cara cinza língua asfaltada
marcha o terno asséptico
rumo a empreitada
defender seu assassinato
ao bater o ponto
lá na firma dos desesperados

carros fechados olhos travados
ternos desternurados guiam
sem contato com a rua
para chegar limpinho na firma
ouvindo ladainhas no rádio
de como se comportar no trabalho

o terno e outros ternos em bando
criam os megatrânsitos também nas calçadas
no almoço dos assalariados de luxo
falam todos gravatas. falam todos biscates
um coro protegido a rir igualmente
amarelo cinza medo da rua

o terno é só um terno que viu 
uma menina de bike na rua
e do susto brutal se brutalizou
como pode? grita o terno:
como pode usar a rua do meu carro?
ao terno não cabe coexistir. não cabe existir

o terno escuta o som da rua, mas a tv mandou temer
é da firma-apê. do apê-shopping
do shopping-carro-apê
o terno cinza não sabe o que ser
e rosna com seu carro. rosnam os ternos-carros
rosna para ninguém sair do cabide do armário

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