3.11.15

o abismo de dona dora

evgen bavcar


pratos plásticos ofertas abrigam
banquete às frustradas formigas
patrulham sem encontrar açúcares
em mesa farta de olhares ocos

balança nos ombros um sonho não vingado
da floresta festim pelúcias amontoadas
simulacro em choro com chupeta embala

antinatural perder uma potencia de vida
c'est la vie? pertence ao mistério?
o que não há respostas azeda
e enreda a queda de dora

alimento petrificado no seio da ira
tal qual a seiva da flor plástica
ao lado do pinguim da geladeira

depois de perder os pais, o filho e o amor
decidiu 1,99 plastificar a casa
e nada mais adoecer, nem se acidentar

mas o choro não abandonava o bebê
e dora em desespero levou ao médico
implorou ajuda. gritou. quebrou. desmaiou

não entendem o abismo de dona dora
que não voltou mais a singular casa plástica
sua dor foi condenada a morte pelo estado
em doses. por pílulas. até ela ser uma boneca





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