11.1.16

Notas do abismo II

christian hopkins

eu: mãe, não se ofenda. vou me matar
mãe: tudo bem, eu não tive como perguntar se você queria, não é culpa minha. tivesse sido outro óvulo, outro espermatozoide eu seria mais feliz
eu: talvez. a vontade sempre foi sua
mãe: enterro ou te cremo?
eu: a escolha também é sua. os meus restos são seus
mãe: farei um pão com a farinha que você for
eu: bom apetite
mãe: obrigada
eu: nada

8.1.16

ela


bate perna
bate o ponto no cartão
bate laje
bate a bunda no chão
bate boca
bate na cara do aflito
só não bate panela
isso não

ela

rala o joelho
rala a cenoura
rala o dedo
rala a vida
rala as vistas
rala agonia
só não rala a cria
isso não

ela

dá no pé
dá na cara
dá de pé
dá duro
dá bronca
dá a letra
dá aconchego
dá o que
e para quem
quiser


ela
pode

ela
é

coração na pedra ferido jazz



se seu amor não fosse essa ponta de faca, te mostraria seu nome, escrito com batom, na fronha do meu travesseiro. miúdo. curtinho. para beijos e mordidas em noites trêmulas enquanto releio suas cartas.

Notas do abismo

foto Ale Safra


Tivesse sido real, poderia crer nas zelosas deusas mimando meus dias com o mais sublime dos espetáculos, um encontro de divas nuas se chupando e gozando enquanto eu, fumando um cigarro de maconha Kosher, apreciava belos corpos de mulheres em salientes línguas ao som de ais e gritinhos delírios . 
Mas era apenas um sonho a me esfregar a realidade solitária às quatro da manhã num corpo quente, molhado e triste.
foto Ale Safra - Santa Fé 12/2015

Alice, me beija
não! as amoras caíram
e nada mais restou avermelhar
o pomar seco abriga a calopsita na gaiola das agonias
outro dia o amor foi uma fruta suculenta e escorreu pelos cantos da minha boca
outro pomar o amor existiu
gaiolas não

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